Amanda Fontenelli

"Eis-me aqui, ora pela metade ou em descoberta, uma tentativa, simples assim.. "




quinta-feira, 8 de julho de 2010

Blue.

Tem alguém aí? (silêncio)
Tem alguém aqui, alguém. (já parou para pensar no espaço que a palavra alguém ocupa, alguém... eu sou alguém, e adoro ser esse alguém, esse alguém que alguns conhecem com mais intimidade, outros tiveram apenas uma imagem, um reflexo distorcido do que seria eu, esse alguém, outros tiveram mais do que a intimidade, foram além, alcançaram a minha simplicidade, tiveram meu sorriso, outros, tiveram outras faces de mim, verdadeiras ou não, outros, tiveram uma companhia, uma amiga ou até mesmo o meu desconhecido, talvez, outros foram simplesmente indiferente a mim, a meu alguém...) O fato é: sou eu quem (lhe) escreve: Eu decidi, (já não há mais talvez), eu quero fazer as pazes com a vida.

Percebi que muitas coisas mudam, situações ruins melhoram, coisas boas passam, deixando saudade, ou seja, que a maioria das coisas (não todas) é provisória, assim sendo, uma das poucas coisas que são definitivas: sou obrigada a conviver (eternamente, independente das circunstâncias - a vida é uma roda gigante, em um uma volta estamos em cima, em outra embaixo, com medo, ou divertindo-se, admirando ou rodando feito loucos, até cair..) comigo mesma, sendo essa condição uma das únicas condições (a outra falarei mais adiante) que o fato de existir me impõe, irei aceitá-la com um sorriso no rosto e outro maior ainda no coração.

Tal constatação me veio nos últimos tempos para trabalhar em mim a aceitação, a humildade, a gratuidade, entre outras virtudes, para comigo mesmo. Sou o que sou, isso é fato, durante seis meses, estudei Direito Civil – pessoas e bens, analisando os direitos da personalidade, com o prof. repetindo seguidamente: “o estado pessoal é indivisível, não há no mundo duas pessoas com o mesmo estado pessoal.”, para perceber, só agora, a obviedade das obviedades: eu sou um ser único no mundo e mereço respeito, carinho e alegria, porém, antes do reconhecimento de qualquer pessoa, é necessário, o meu parecer, o meu reconhecimento, o meu Amor por mim mesma.

Vivemos no relativo, na era do caleidoscópio, em que tudo é feito de mil dimensões, a cada vertente, um ponto de vista diferente, presenciamos o tempo em que a ética é posta em prática de acordo com vários referenciais (“ética, cada um tem a sua”), caminhamos num mundo cuja filosofia é buscar o que não se tem: a felicidade.
O homem tem como característica inerente e fundamental: a insegurança, pois a vida é a instabilidade em si mesma.

Nos primórdios, lutávamos pelo alimento, pela sobrevivência, logo, a força motriz de nossas vidas era (e é) a morte, não a vida.
Sendo, ironicamente, a morte a única certeza que possuímos, lutamos avidamente, para perpetuar a vida, o que é impossível, desse processo, surge a insegurança.
Como paliativo, o ser humano, não conseguindo extinguir seu pesadelo mais cruel, a morte, faz de tudo para se iludir, garantindo a si mesmo “passatempos”, capazes de lhe distrair, dando-lhe a falsa sensação de eternidade: bom emprego, bom salário, bom relacionamento amoroso, boa saúde, boa forma física, beleza, sexo, diversão, enfim, entretenimento.

Em suma, atualmente, o homem tem certeza de sua infelicidade, por isso ele busca a felicidade, aceitou-se como factual que o homem apenas tem acesso à alegria, felicidade não, esta é inatingível, grande combustível do capitalismo.
O capitalismo, para manter-se firme e forte, nos garante que precisamos mais e mais, conquistar, (comprar, comprar e comprar mais ainda) seus produtos para alcançarmos A felicidade.

Contudo, nesse lapso de cegueira coletiva, esquecemos que já temos a felicidade, que já somos felizes, pois de fato, a alegria que buscamos incessantemente, já está dentro de nós mesmos, e para acessá-la só precisamos: aceitá-la como verdadeira, nos aceitar como possuidores de todo potencial, aceitando a possibilidade de que podemos ser sempre melhores, que cada nova manhã é um presente, o qual deve ser aproveitado e gastado ao máximo, pois não é possível devolução.

Por isso, aproveite.

sábado, 12 de junho de 2010

Dia dos Namorados

Hoje é um dia especial, considero a data mais romântica do ano, é o dia em que assumidamente defendemos o amor e acreditamos nele, nas loucuras que fazemos para alcançá-lo (e no final sempre vale a pena), fazemos discursos de como é válido se arriscar, esquecer os medos, as inseguranças, a racionalidade, tudo em nome do amor.

Afinal, há coisas que não se compram, e elas são, sem exceção, o tempero que dá sentido às nossas vidas, entre elas: o Amor, por isso, em quaisquer circunstâncias, é burrice declarada, abrir mão da chance de amar e ser amado.

Honestamente, eu havia planejado para essa data (tão linda, apesar de extremamente comercial), fugir da cidade, ir para qualquer lugar que não houvesse pensamento numa vida a dois, um local cujo calendário pulasse o “dia dos namorados”, pois não estava a fim de assumir meu desejo (inocente e debilmente romântico) de comemorar o dia de hoje, grudadinha com alguém, como deve ser, fazendo declarações, gastando energia pensando no melhor presente a dar para quem se ama, tentar ser criativo na hora de fazer uma declaração, fora as juras de amor que fazem os casais apaixonados, os planos, os clichês, o desejo do “juntos para sempre”.

Todavia, uma amiga, querendo ser engraçadinha, sabendo que já estava irritadíssima com essa história de “dia dos namorados”, me ligou, dizendo: “Amanda, feliz dia dos namorados!”(caindo na gargalhada), depois disso, eu me “amansei”, fiquei tranqüila e até ri da situação, pois vi que não havia me tornado uma pessoa cética e racional, ao contrário, revendo o dia de ontem e algumas atitudes minhas, percebi que continuo: “exageradamente” romântica, e que isso faz parte de quem sou, da minha essência, de ser o tipo de pessoa que segue o coração, e por isso, paga um preço caro, pois muitas das conseqüências mais difíceis que tive de encarar na minha vida vieram dos atos mais simples e sinceros de amor, (uma ligação espontânea e sincera, por exemplo).

Ademais, uma outra amiga, muito querida também, irá passar o dia de hoje com “o amor da sua vida”, (a história deles é muito legal, cheia de diferenças, desde a idade até o temperamento, uma história típica para não dar certo, mas o mais incrível é que dá certo, pois os dois se querem de uma maneira genuína e muito bonita), e enquanto eu a ajudava a preparar os presentes que ela iria dar, me peguei desejando-lhe, de todo coração, uma excelente comemoração, pois eu ainda acredito no amor, na possibilidade de se entregar a alguém, de ser quem se é, sem máscaras, com defeitos e qualidades, e construir duas vidas num relacionamento.

No livro “comer, rezar e amar” há uma parte em que a autora diz que alma gêmea não é aquela pessoa que encaixa perfeitamente, pelo contrário, a verdadeira alma gêmea é um espelho, a pessoa que mostra tudo que está prendendo você, a pessoa que chama a sua atenção para você mesmo para que você possa mudar a sua vida, ou seja, provavelmente, alma gêmea é a pessoa mais importante que você irá conhecer, porque ela derruba suas paredes e te acorda com um tapa, te apresenta uma outra camada de você mesmo, ao ponto de te deixar tão desesperadamente fora do controle e com o coração despedaçado para que possa haver espaço para entrar uma luz nova, capaz de transformar sua vida, fazendo você crescer.

O que, atualmente, encaro como algo muito positivo, tendo você um relacionamento com sua alma gêmea, você cresce, caminha para o “melhor que você pode ser”, apesar da caminhada ser difícil e árdua, apesar de ser duro conviver ao lado de quem apresenta seus erros e maiores fraquezas. Porém, o amor não é para ser verdadeiro? Logicamente, traz consigo a verdade, e ela, muitas vezes, pode ser dolorosa.

Assim, desejo um mix: uma alma gêmea que seja o par perfeito, alguém que me faça crescer, que me mostre o quão pequena sou, o quanto preciso melhorar e me aperfeiçoar espiritualmente e como pessoa, para fazer as pessoas e tudo que está ao meu redor mais, muito mais felizes, melhores, gerando amor, alegria ao mundo, assim como: seja alguém capaz de se encaixar na minha vida e que me faça encaixar na sua, nos fazendo mais completos, nos permitindo dividir alegrias e tristezas, pois, Deus não criou o homem para caminhar sozinho, ao contrário, o criou para compartilhar.

Em suma, hoje, desejo um amor apaixonado e tranqüilo, capaz de se jogar num relacionamento, sem reservas, somando novidades, sucessos, e também dificuldades, das quais sairemos mais fortes e decididos: “Tão bom morrer de amor e continuar vivendo”.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Tudo pode dar certo


Em prol do otimismo do filme mais recente do Woody Allen, “Tudo pode dar certo”, o qual trabalha em cima das idéias da teoria das cordas, sobre o fator coincidência em nossas vidas, sobre como no final de todos os acontecimentos, as coisas se acertam e sempre existe um porque, o qual, na maioria das vezes, só enxergamos muito tempo depois, principalmente depois das fases difíceis e escuras que passamos (obrigatoriamente, graças a Deus, pois o sofrimento enriquece, fortalece e nos faz valorizar os momentos de alegria).


Tenho que ser sincera ao dizer que quando saí do filme fiquei extremamente decepcionada comigo mesma, mais chateada até, pois não conseguia sentir aquela fé, a esperança que o filme enfatiza, a confiança na idéia de que tudo acontece por uma razão, que liga outra razão e fato futuros, porém, como a implacável ironia do destino gosta de pregar peças em nossas vidas, comigo não foi diferente e algumas coisas aconteceram essa semana, como no filme, do “nada”, no momento mais inesperado, no momento de eterno esquecimento acerca das possibilidades que tenho na vida (afinal, somos jovens, tenho apenas 19 anos, um mundo inteiro para vivenciar e descobrir) e me fizeram resgatar essa fé no futuro, em mim, em Deus, (de fato, a fé seria muito mais bonita se a tivesse alcançado na fase ruim, no momento em que nada “sai como gostaria”).


Enfim, o filme me impressionou, pois Woody Allen costuma ser sarcástico em suas produções, em suas críticas sobre os relacionamentos humanos, os ideais pobres dos homens, suas mentiras contadas e repetidas a eles mesmos, por gerações e gerações,todavia, dessa vez ele foi irônico mas “romântico”, “Tudo pode dar certo”, durante a maior parte do tempo, te leva a pensar que o final será dramático, no qual o personagem principal terá um fim do tipo: “final feliz? História para boi dormir”, mas não, ele surpreende o público.


“Tudo pode dar certo” apresenta a fé de um autor que viveu ceticamente a vida inteira e percebe que no final não temos escolha: a não ser nos rendermos ao amor, afinal se de fato o mundo é cruel e não há solução para isso, não custa nada sermos otimistas, pois o pessimismo só irá tornar mais dura e árdua a caminhada, logo, seria a atitude mais sensata ser positivo diante das adversidades, tanto é que o filme acaba com: “não negue o amor, nunca perca a oportunidade de amar e receber o amor, de ser feliz, pois a vida é curta”.


Contudo, o que mais gostei no filme foi: a grande virada que os personagens dão em suas crenças e que Woody Allen também dá em sua conclusão, os personagens todos possuidores de crenças religiosas se tornam ateus, e no final, o grande irônico se refere a Deus, como o gênio, que possui a visão total das coisas e sabe como tudo deve ser, por isso, nós “ignorantes, burros e estúpidos” (ele não mede as palavras ao ridicularizar a prepotência humana ao tratar de sua inteligência medíocre) possuímos uma visão limitada, a qual somente nos permite ver o hoje e olhe lá, ou seja, fala sobre um gênio criador das coincidências, que são, na verdade, “o acaso de Deus”.