
Em prol do otimismo do filme mais recente do Woody Allen, “Tudo pode dar certo”, o qual trabalha em cima das idéias da teoria das cordas, sobre o fator coincidência em nossas vidas, sobre como no final de todos os acontecimentos, as coisas se acertam e sempre existe um porque, o qual, na maioria das vezes, só enxergamos muito tempo depois, principalmente depois das fases difíceis e escuras que passamos (obrigatoriamente, graças a Deus, pois o sofrimento enriquece, fortalece e nos faz valorizar os momentos de alegria).
Tenho que ser sincera ao dizer que quando saí do filme fiquei extremamente decepcionada comigo mesma, mais chateada até, pois não conseguia sentir aquela fé, a esperança que o filme enfatiza, a confiança na idéia de que tudo acontece por uma razão, que liga outra razão e fato futuros, porém, como a implacável ironia do destino gosta de pregar peças em nossas vidas, comigo não foi diferente e algumas coisas aconteceram essa semana, como no filme, do “nada”, no momento mais inesperado, no momento de eterno esquecimento acerca das possibilidades que tenho na vida (afinal, somos jovens, tenho apenas 19 anos, um mundo inteiro para vivenciar e descobrir) e me fizeram resgatar essa fé no futuro, em mim, em Deus, (de fato, a fé seria muito mais bonita se a tivesse alcançado na fase ruim, no momento em que nada “sai como gostaria”).
Enfim, o filme me impressionou, pois Woody Allen costuma ser sarcástico em suas produções, em suas críticas sobre os relacionamentos humanos, os ideais pobres dos homens, suas mentiras contadas e repetidas a eles mesmos, por gerações e gerações,todavia, dessa vez ele foi irônico mas “romântico”, “Tudo pode dar certo”, durante a maior parte do tempo, te leva a pensar que o final será dramático, no qual o personagem principal terá um fim do tipo: “final feliz? História para boi dormir”, mas não, ele surpreende o público.
“Tudo pode dar certo” apresenta a fé de um autor que viveu ceticamente a vida inteira e percebe que no final não temos escolha: a não ser nos rendermos ao amor, afinal se de fato o mundo é cruel e não há solução para isso, não custa nada sermos otimistas, pois o pessimismo só irá tornar mais dura e árdua a caminhada, logo, seria a atitude mais sensata ser positivo diante das adversidades, tanto é que o filme acaba com: “não negue o amor, nunca perca a oportunidade de amar e receber o amor, de ser feliz, pois a vida é curta”.
Contudo, o que mais gostei no filme foi: a grande virada que os personagens dão em suas crenças e que Woody Allen também dá em sua conclusão, os personagens todos possuidores de crenças religiosas se tornam ateus, e no final, o grande irônico se refere a Deus, como o gênio, que possui a visão total das coisas e sabe como tudo deve ser, por isso, nós “ignorantes, burros e estúpidos” (ele não mede as palavras ao ridicularizar a prepotência humana ao tratar de sua inteligência medíocre) possuímos uma visão limitada, a qual somente nos permite ver o hoje e olhe lá, ou seja, fala sobre um gênio criador das coincidências, que são, na verdade, “o acaso de Deus”.

Nenhum comentário:
Postar um comentário