Amanda Fontenelli

"Eis-me aqui, ora pela metade ou em descoberta, uma tentativa, simples assim.. "




quinta-feira, 25 de março de 2010

Pena de morte x artigo quinto da Constituição Federal

Toda constituição é reflexo da sociedade, demonstrando de maneira prática e material seus valores, hábitos, história, filosofia e modo de organização, logo, está intimamente ligada aos princípios fundamentais que regem e alicerçam a sociedade.

O direito civil, como uma das ramificações do estudo jurídico, discursa sobre os direitos da personalidade, os quais decorrem automaticamente da existência da personalidade jurídica, igual para todos, a qual é inerente à pessoa humana e independente da consciência humana, a qual esbarra no pilar: “a personalidade jurídica não varia em graus”.

Ou seja, nenhuma comparação qualitativa é permitida dentro do direito, pois, caso considerássemos dada personalidade melhor que a de outrem, estaríamos quebrando o preceito básico de nosso sistema jurídico: todos são iguais perante a lei.

Dessa forma, ao afirmar a igualdade de todos, sem distinção de qualquer natureza, perante a lei, o artigo quinto (5°) da constituição federal de 1988 garante e assegura a vida de todos os membros da sociedade, independente de sua conduta social.

Assim, a pena de morte seria inconstitucional, haja vista que por maior que seja/fosse a violação cometida por determinado sujeito, inclusive a violação de um dos direitos fundamentais, como o direito à vida, ainda assim, teria intactos seus direitos fundamentais.

Logo, não caberia ao Estado, apesar de sua posição e superestrutura sociais, utilizar de tal arbítrio, seria ainda mais danoso para a sociedade, ter sua representatividade pautada na quebra do direito mais básico de todo indivíduo.

sábado, 20 de março de 2010

“Pra falar a verdade, às vezes minto tentando ser metade do inteiro que eu sinto” Teatro Mágico

De época em época, em cada período histórico, observamos diferentes tipos de literatura, filmes, peças de teatro, arte, cada qual com uma nova estrutura, finalidade, conteúdo e até um público único.

Desse modo, podemos observar, de maneira clara, a forma como os romances se desenvolveram, desde os típicos folhetins aos dramas atuais, cada vez mais densos. Nas aulas básicas de literatura do ensino médio, estudávamos as mudanças ocorridas na estrutura dos personagens, os quais saíam do “caráter” plano para o esférico, o que era considerado um avanço, pois, cada vez mais, os personagens se tornavam mais completos.

Na “vida real” não é diferente, com o passar dos anos, quando vamos alcançando maior maturidade, mais experiência, percebemos que as pessoas são mais complexas e mais densas, de modo que as análises simplistas se tornam pouco eficientes para entendermos as atitudes alheias, os fatos da vida, os acasos e principalmente a essência do outro.

Eu, como uma típica noveleira, enquanto assistia à novela “viver a vida” me dei conta de que apesar dos clichês repetidos a cada novo enredo do horário nobre, cada drama me mostra que de fato “a arte imita a vida”, pois os típicos “novelões” são a ilustração dos nossos desejos, da nossa realidade, de nosso cotidiano, e apesar de, às vezes, serem inocentes, simplórios nas tramas entre os personagens, tentam nos mostrar a possibilidade da vida, mostrar uma moral melhor, nem que reine no eterno: “ felizes para sempre” e na vitória do bem sobre o mal.

Enfim, nossos parâmetros vão mudando ao longo do tempo, nos tornando mais capazes de admirar as pessoas (de modo mais completo), pois, reconhecendo suas inúmeras vertentes, suas inúmeras faces, seus inúmeros desejos, atitudes (muitas vezes contraditórias), e o mais difícil, percebemos então que a vida é descontínua, não possui linearidade, a cada fato novo, “estamos processando os dados” e tudo se torna possível.

Assim, passamos a nos portar e nos aceitar como “personagens esféricos”, cheios de defeitos e qualidades, haja vista que paramos de nos reduzir a meros corpos, cérebros e status, exigindo dos outros o reconhecimento total do nosso ser, de modo que nossas relações se estabeleçam sob a verdade (quem somos verdadeiramente).

Partindo dessa lógica, lembrei da peça escrita por Aristófones, na Idade Antiga, “Lisístrata - A greve do Sexo” [http://www.ufrgs.br/proin/versao_1/greve/index01.html], a qual narra a luta das mulheres em se fazerem reconhecer como algo além de mero objeto sexual masculino, sendo um marco na história dos personagens femininos, pois ali, as mulheres ganham “cérebro” e “alma”, passam a interferir no rumo da história, o que nos apresenta o fato: antes do reconhecimento de nossa complexidade pelo outro, é necessário o nosso auto-posicionamento acerca de nossa densa trajetória e composição, como a personagem principal faz, cortando tudo que é desnecessário e assumindo roteiros autênticos, pois pautamos nosso perfil psicológico e emocional, no que há de mais belo, o nosso palco pessoal, nossa vida, aquela cuja responsabilidade é intransferível.

terça-feira, 16 de março de 2010

Lago dos Cisnes - Tchaikovsky


A dança do poeta

Poeta:
Bailarino das letras,
Compositor de orações a serem repetidas
E sentidas diversas vezes;

Inovador de sentidos,
Amante da ambigüidade,
“por do sol” que clareia,
Conhece a luz como a si próprio
Amigo e rei da pureza;

Carrega-me em teu colo,
Ensina-me a rezar
Teus cantos belos
Para um dia quem sabe,
Possuir a proeza de lhe descrever
Meus santos perdidos:
Sentimentos!

terça-feira, 9 de março de 2010

Greve x Saudade




“Estamos oficialmente de greve”: foi a frase mais ouvida nos últimos dias nos corredores da UnB, muitas explicações a respeito da paralisação dos professores foram dadas, mas gostei especificamente da explicação do meu professor de Fundamentos de Políticas Públicas, na aula de hoje, explicando o significado de uma greve no ensino brasileiro, especialmente a que enfrentamos nesse momento, a qual seria um sintoma do “desmazelo governamental” com o ensino, com os professores, que tiveram ¼ de seu salário cortado, defendeu o papel dos alunos na greve (inclusive incitando-nos a “invadir” o MEC, como fizemos na reitoria há um tempo atrás), considerando todos os estudantes das universidade públicas brasileiras a “nata” da sociedade, haja vista o acesso que teríamos ao conhecimento, nos tornando cidadãos mais “conscientes”, e como nos foi “dado” maior visibilidade do contexto social, mais no seria cobrado, ainda mais no cenário político.





De fato, é muito frustrante voltar às aulas, passar pela entrada da UnB, ver todo aquele verde, o ICC lotado de carros, andar pelo pavilhão movimentado com tantas faces novas, ir a biblioteca pela manhã e escolher uma das minhas favoritas cabines de estudo, participar da recepção dos calouros, ver alguns deles nos mais variados trotes, e não poder conhecer o conteúdo das disciplinas que compõem minha grade horária.





Enfim, e ainda ver a tentativa de alguns professores em continuarem ministrando as aulas, porém, sem sucesso, pois a maioria dos alunos não quer ir à universidade por conta de uma ou duas matérias apenas.





Todavia, mesmo nesse cenário tenso dentro da UnB, nunca me senti tão feliz por estar de volta, por entrar no ICC e escutar música, ver as pessoas vendendo ingressos para as festas que irão acontecer, estava realmente com muita saudade.





Os últimos dias foram densos, reencontrei meu passado da pior forma possível, descobri novas mentiras, percebi o teatro alheio, senti mágoa, tive contato com os mais variados sentimentos (fracasso, perda, fim definitivo, responsabilidade, falta de um pedido de desculpas, de explicações, dúvida, etc) e com as mais variadas suposições, fico vivendo num eterno “e se”, tentando descobrir o que se passa na cabeça do outro e na minha cabeça.





Uma coisa é clara: todo esse fim desastroso está chegando aos seus últimos momentos, pois as coisas tendem a tomar seu próprio rumo, eu já tomei meu caminho, já fiz minha escolha, porém, até que ponto eu, você, nós temos ciência das escolhas que fazemos? A vida é um eterno escolher, mas nossas opções são limitadas, por nossos genes, educação, âmbito social, personalidade, caráter, valores atuais de nossa sociedade, enfim, as escolhas vão desde qual sabor do sorvete que quero tomar à qual carreira seguir, que tipo de casamento que quero ter.
Tudo começa numa postura de vida, como estou mais reflexiva, mais “romântica” e saudosista, ultimamente, tenho me detido às belezas de Brasília, sempre olhei para minha cidade com um olhar desconfiado, cansada do seu mundinho pequeno, no qual todos se conhecem, entediada com seus “points” mais óbvios, porém, num desses preconceitos me esbarrei com várias belezas, até então desconhecidas para mim, tive a sorte de conhecer duas “quebradinhas” no Lago Norte, que dão acesso ao lago, a primeira mostra um lago limpo, bom para nadar, silencioso e sem muito movimento, com peixinhos por toda parte, com muito verde, algumas pedras, lanchas passando de vez em quando, algumas casas muito bonitas, mas especialmente, conta com a presença (ao menos contou, no domingo em que estive lá.) de uma garça branca, a mais delicada que vi, voando, passeando pela margem d’água, a segunda é na frente do Clube do Congresso e marca mais pela vista, de lá, é possível ver o Palácio da Alvorada, a Bandeira da praça dos três poderes e mais.





As duas vistas me surpreenderam, pois não pude deixar de curtir o sol, o vento e o clima de Brasília, as outras belezas foram retiradas do meu dia-dia, do meu itinerário rotineiro, passando pelo Buriti, vi as fontes ligadas no fim da tarde/inicio de noite, aquele azul de fundo, bonito de olhar, me fez lembrar de filmes antigos, bem românticos, nos quais o casal apaixonado aparece vestido de roupa de gala se beijando em frente a alguma fonte, ou a algum monumento bonito, com um jazz de fundo, um som meio “Louis Armstrong e Ella Fitzgerald”, o que foi um momento bem “sinestésico”, pois me retirou da correria que tenho durante a semana e me relaxou, pois me mostrou a fé que devo ter no futuro, pois, na vida, sempre há algo melhor pela frente, como um amigo muito querido me disse “o ouro e a prata são testados pelo fogo”, dessa maneira devemos encarar os momentos difíceis, que sempre passam.
Também vi beleza na cruz localizada atrás do memorial JK, na qual ocorreu a primeira missa celebrada em Brasília, um dia, a toa, resolvi parar e ver o por do sol ali, estava chuviscando bem de leve, mas foi muito bonito, já fui ali muitas vezes, mas desta vez foi diferente, pois foi a primeira vez que fiquei de mãos dadas comigo mesma, foram só uns 20 minutinhos, mas foi o suficiente para me fazer pensar: Estamos de fato vivendo? Temos consciência de nosso propósito nessa vida? Até quando viveremos por viver, jogando fora nossa vitalidade?





No sábado não tinha nada para fazer e minha vizinha com suas amigas (duas irmãs, uma de 12 anos e outra de 9 anos) me chamaram para passear com a minha cadelinha, Nikita, foi uma delicia, tirando as piadinhas na minha casa “virou pré-adolescente?”, foi uma tarde muito gostosa, “invadimos” outros prédios, ficamos com os pés na piscina do terraço de um bloco enquanto o sol esquentava intensamente nossas peles, conversamos sobre as liberdades que elas desejam alcançar, ouvi suas impressões sobre como ela idealizam a “maioridade”, deu inveja da vitalidade que elas possuem, do brilho que carregam nos olhos, da esperança que elas têm, é algo muito belo de ver e presenciar.





Em resumo, coisas lindas estão por toda parte, mas a beleza mais difícil de encontrar é aquela que está dentro de nós mesmos, é aquela luz que brilha mesmo quando estamos tristes, para mim, a maior beleza é aquela que está presente independente de qual contexto nos encontramos, é nela que devemos dar base ao nosso ser, é nosso alicerce, pois são nossos valores, que não fazem mal a ninguém, ao contrario edifica o outro, sabe, algumas pessoas têm a qualidade de atrair muitos para perto de si, todos conhecemos alguém que queremos estar perto, junto, pois ela nos dá paz, nos acalma? Então, essa pessoa tem essa beleza.





Cada um tem uma beleza, beleza de ser animado mesmo quando nada vai bem, beleza de dar um ótimo conselho aos que precisam, beleza de perdoar o outro, beleza de não ser orgulhoso e fazer as coisas acontecerem, beleza de ser determinado e lutar pelo que se quer, enfim, são inúmeras belezas. Qual é a sua?Qual é a minha? Eis a questão.


[Música: getting over - david guetta]

[All the things I know right now,If I only knew back then,There's no gettin' over,There's just no getting over you.Wish I could spin my world into reverseJust to have you back again]

quarta-feira, 3 de março de 2010

Ponto Final.


Saia Dessa vida de migalhas,

Desses homens que te tratam como um vento que passou.

Caia Na realidade fada,

Olha bem na minha cara e confessa que gostou.

Do meu papo bom

Do meu jeito são

Do meu sarro,

do meu som

Dos meus toques pra você mudar


Mulher sem razão

Ouve o teu homem

Ouve o teu coração,

Ao cair da tarde.

Ouve aquela canção que não toca no rádio


PáraDe fingir que não repara,

Nas verdades que eu te falo.

Dê um pouco de atenção

Parta pegue um avião.

Reparta sonhar só não dá em nada,

é uma festa na prisão.

Nosso tempo é bom e nem temos de montão

Deixa eu te levar então,

pra onde eu sei que a gente vai brilhar


Mulher sem razão.

Ouve o teu homem.

Ouve o teu coração,

batendo travado,por ninguém e por nada na escuridão do quarto.

Ouve o teu coração ao cair da tarde

Ouve aquela canção que não toca no rádio.


[Mulher Sem Razão - Adriana Calcanhotto]



segunda-feira, 1 de março de 2010

Carta ao Leitor


Querido (a) leitor (a),


Escrevo com a intenção de dividir, de lhe falar o que meu coração canta, para começar: passo por um turbilhão de descobrimentos, como uma criança que desvenda o jardim, tratando-o como uma floresta rica em diversidades, tratando cada ser como único, e comigo não tem sido diferente, cada sentimento experimentado nos últimos dias têm uma cor própria, um cheiro, um aroma doce e leve, às vezes, (tenho de ser sincera) são fortes e densos, como uma brisa quente, muito quente, de verão, daqueles bem ensolarados.


Sei que não pediu, mas te dou um conselho da mesma forma, viva meu caro!, abra mão daquilo que não te faz bem, daquilo que há de morto em você: um dia uma tia muito querida (gordinha e de um humor tranqüilo,pessoa maleável, tudo estava bom para ela, porém era de uma sensibilidade ímpar, pois tinha dificuldade em falar sobre seus sentimentos) me disse para jogar fora toda papelada que guardava nos armários (provas do jardim da infância, cadernos que nunca olhava, livros que poderia repassar a outros com uma ótima indicação,enfim entulhos que temos apego sem razão) pois, segundo ela, quando tiramos algo velho de nossas vidas abrimos espaço para coisas novas, óbvio, porém, além do espaço, trazemos boas energias e de algum modo (simbólico) digerimos o que está acumulado na mente e no coração.



Tal pensamento não é difícil de entender, temos exemplos de inúmeras filosofias que pregam sobre as energias, tanto do corpo, de cada pessoa, dos ambientes, e ela tinha razão (como tinha!), o que ela queria dizer é: Renove-se, querida.



Dessa forma segui com minha vida, renovando, mudei a decoração do meu quarto, mudei meus hábitos, meus projetos, tomei decisões importantes, na época e continuo decidindo, tanto no campo amoroso, profissional, espiritual, mudanças que não fariam diferença caso não mudasse o principal: a mim mesma (o homem que domina a si próprio vence o mundo), todavia, desde então tomei um caminho sem volta: como as obras da cantora Adriana Calcanhoto (me refiro às que mais me agradam) do álbum Público para Adriana Partimpim a mudança é drástica, do público adulto para o infantil (apesar de muitos adultos escutarem), que apesar de radical, sua mudança permanece com o teor inconfundível de sua personalidade em suas músicas, na simplicidade e na densidade das letras, enfim, a mudança que ela teve é similar à idéia que quero passar sobre minha vida e sobre os caminhos que tomei: quando decidimos mudar não deixamos de ser o que fomos, mas permanecemos (na essência, grande discussão filosófica, a essência permanece ou muda com o tempo?), pois o passado nos mostra o porquê de nossas escolhas, o presente a capacidade que temos de viver, e o futuro os sonhos, não preocupações. (Devemos parar de nos preocupar com o que há de vir, trabalhemos com o que foi dado.)



Hoje, analisando energias, desejos, filosofias e palavras divinas, percebo que todos nós queremos a mesma coisa: a felicidade, mas não A felicidade, desejamos a alegria cotidiana, a simplicidade, porém,( o que torna o alcance dessa felicidade tão difícil) apesar de sermos o que somos, livres, temos o enorme defeito: a necessidade de controle, da sensação de saber o que vai acontecer, de como reagir às novas circunstâncias, haja vista que nos torna mais seguros, porém, ilusão, ó engano, nesse ciclo de ter controle nos perdemos e abrimos mão do que há de mais belo no ser humano: o imprevisto, a incerteza, a expectativa..



O fato, companheiro (a), é que a vida é uma busca e estou extremamente apaixonada, admirada e surpresa com a “eterna caminhada”, pois a cada dia ela me mostra algo novo, me mostra um erro novo que cometo sem perceber, e como cheguei aqui? Por meio do acúmulo de acontecimentos aleatórios e propositados que constituem a vida, um dia, recente dia,assim, de repente, cansei, e me deparei com a verdade, a máscara caiu, percebi que aquilo que me machucava não era de total responsabilidade alheia, era minha também, pois não tomei nenhuma atitude para mudar o contexto que me “ofendia”, e ao contrário eu o considerei como “dado”, incrível não é?, às vezes, maioria das vezes, nos permitimos sofrer, o que é algo bom, não é totalmente ruim, (queremos fugir do trabalhoso, doloroso, cansativo -culpa do capitalismo ou da natureza humana?-),caso não tivesse vivido o que vivi, não teria a lição que carrego no peito hoje.



Acontecimento: cansei, a “ficha caiu” no meu coração, queria algo novo, da fonte que andava bebendo já havia retirado o que tinha de retirar, a fonte havia secado, para mim, é claro, outras pessoas conhecerão a mesma fonte(e sei que já conheceram) e matarão sua sede nela, até o dia que lhes convir, o que há de mais maravilhoso aconteceu: eu me renovei, saí do ciclo ao qual me prendia e mudei as ações, e os resultados mudaram!



Acordei e caminhei, dei um passo de cada vez, e minha nova rotina se estabeleceu, a cada novo dia penso “o que eu, verdadeiramente, desejo para esse dia?”, a resposta é doce: leveza, amor, música, literatura, conhecimento, projetos, amizades doces, amor sem compromisso (amor pautado na doação, não na reciprocidade), e tem sido gostoso, andei fugindo de mim mesma há anos, e no meio da correria louca de escapar de “mim mesma”, enorme cilada, esbarrei comigo mesma, não tive saída, tive de aceitar, e por incrível que pareça, estou adorando, não sou “tão medonha” como pensava, me descobri mais criança, mais “levada” e curiosa, mais preparada para fazer o que Me faz feliz, parei de agir em função dos outros, é aí que se encontra a chave da minha “carta ao leitor”, aja naturalmente, sejamos autênticos.



Terminei de ler o livro “A cabana”, um desses livros mais vendidos, gostei, e quebrei o meu preconceito de não querer ler “literatura de massa”, pois de fato, as vendas falam por si mesmas (na maioria das vezes, outras vezes nos enganam), o livro conta uma história dolorida, mas muito bela, sobre o encontro de um homem qualquer (comum) com Deus, e no decorrer da história narrada, ensinamentos sobre a atitude do Amor de Deus são discutidas, quebrando/ questionando nossos paradigmas e nosso “julgamento” acerca de Deus, desse modo, o livro conseguiu mudar o modo como desejo viver (não é nenhuma mudança espetacular nem sólida, mas despertou o desejo sincero).



Caríssimos, vamos fazer um pacto? Nos relacionemos com mais vivacidade, adicionemos qualidade e vida aos nossos dias e não quantidade, vamos fugir da corrente maçante da competição, das futilidades, daquilo que nos corrói, iniciemos uma nova postura diante dos acontecimentos, das pessoas, sonhemos juntos as docilidades da inocência (do considerado “infantil”), brindemos as besteiras e os improvisos, assumamos o papel de tolos que temos obrigação de atuar diariamente, haja vista que ser humano é ser errante, é ser desbravador, é ser o maior poeta, é sentir o que há para ser sentido.



Numa esquina qualquer de algum momento da minha vida, me aceitei e aqui vai um depoimento, nada mais, sei que não mudará a vida de ninguém nem tornará você, leitor, mais feliz, mas “a aceitação relâmpago” mudou minha vida, quando aceitei minhas limitações, minhas características, boas e ruins, tudo passou a ser diferente, aos poucos, mas diferentes.. Me olhei no espelho hoje e adivinhe só? Sou o que sou, de fato! Ufa.