Amanda Fontenelli

"Eis-me aqui, ora pela metade ou em descoberta, uma tentativa, simples assim.. "




quinta-feira, 12 de agosto de 2010

For you I was a flame/ Love is a losing game

A filosofia se ocupou durante muito tempo em definir o que era o verdadeiro conhecimento: na idade média, considerava-se verdadeiro saber aquele que mais correspondesse com a realidade, com as realidades dadas pelos sentidos, depois de um tempo, concluiu-se que a verdade não era tão explicita, nem aparente, que nossa razão muitas vezes era limitada, e sempre tinha acesso a partes da verdade, nunca a sua totalidade.

Logo, nunca poderíamos falar em verdade de fato, no máximo, nos arriscaríamos a falar em termos de aproximação. John Locke completou dizendo que o único conhecimento que temos é adquirido pela experiência, já Kant defendia conhecimentos a priori, segundo ele, o ser humano já nascia com noções de conhecimento, a experiência apenas dava matéria, consistência a essas noções.

Todavia, Marx inaugura a base de toda teoria da contemporaneidade, é o primeiro a falar na capacidade intersubjetiva do homem: o conhecimento é fruto da dialética entre sujeito e objeto, antes mesmo de haver racionalidade, havia o homem interagindo com o meio.

Já o idealismo defende a poesia: “o conhecimento tem origem na idéia”, o ser é a idéia que se exteriorizou, tal qual volta para si mesmo a fim de reconhecer a própria existência, o ser seria a idéia de um criador posta em prática.

Seja como for, diante de qualquer ponto de vista, somos todos filósofos na vida, na medida em que questionamos, buscamos nossa felicidade, discernimento diante de cada situação, tentamos sair da matriz que coordena a realidade ao nosso redor, muitas vezes, fantasiosa e distorcida.

Da mesma forma, hoje me encontro no meio do caminho, na metade da estrada, numa encruzilhada, sem saber se sigo em frente ou se viro a direita/esquerda, sou constantemente: “uma tentativa, simples assim”, uma eterna busca, cada vez, mais insaciável: com as minhas escolhas, com os encontros e desencontros que a vida me proporciona, enxergando a limitação de tudo e de todos, tenho uma percepção quase desiludida diante do mundo: diante da concreticidade da vida: percepção que o sujeito tem do concreto, não sei quais são meus ideais, para quais vivo, o que desejo construir, até que ponto sou fiel às minhas expectativas e até onde vai minha defesa por elas , enfim.

Nos tempos modernos, vê-se uma sociedade egoísta, rodeada de medos: de intimidade, da sinceridade, em assumir-se com defeitos e fraquezas, e muitos seguem querendo complementos ao invés de reais relacionamentos, deseja-se uma vida glamorosa: sem perdas, sem dores, feita de acertos contínuos. A sociedade atual é uma produção em série de pessoas mimadas, cada qual trabalhando em cima de idéias, ilusões, nada é palpável, vivemos no mundo “metafísico”, nunca na realidade.

Todavia, essa não é a realidade que quero para mim, cansei de caminhar sob a égide da teoria, quero prática, quero sentimento, intensidade, sinceridade: Reciprocidade. Quero apostar, quero tentar de verdade. O tempo não é linear para mim, um dia pode ser uma eternidade, a eternidade um dia: “Só quero saber do que pode dar certo”, não existe meio termo para mim.
Segue a música do dia:

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