Há um bom tempo, eu me questionava sobre o meu papel no mundo, sobre qual seria a minha missão, qual o sentido da vida, o porquê de tantos sofrimentos, mas, principalmente: o que, afinal de contas, Deus quer com nossa passagem pela terra.
Conversando com a pessoa que sabe usar a ironia da melhor forma possível - a fim de me mostrar, ou melhor, escancarar, aquilo que não consigo enxergar, haja vista o meu envolvimento com minha percepção, pequena e limitada - meu psicólogo, que também é padre: falamos sobre como a ausência de respostas poderia ser frustrante, todavia, ele respondeu muitos dos meus questionamentos com uma passagem bíblica:
Pilatos perguntou a Jesus, sabendo de sua fama, considerando tudo que diziam a seu respeito, O que era a verdade? , Jesus, com sua imensa sabedoria, permaneceu em silêncio. “Que inteligência!”, frisou, durante a consulta, perguntar o “porquê” não fazia sentido, de nada adiantaria saber porque as coisas são como são. Que tipo de alívio poderia proporcionar uma resposta desse tipo? Nenhum, afinal, o que mais importa é a pergunta, o questionamento, pois, ele nos faz andar, manter constante a caminhada, permanecer olhando para frente, seguir adiante.
Sendo assim, a avidez que tenho por viver a vida da melhor forma, mais sensata e intensamente, jamais encontraria concretização, já que, enquanto eu tentasse racionalizar a vida em si, seus processos, suas fases, seus prazeres e dissabores, sonhos e frustrações, ou seja, encontrar sempre uma lógica, humana e falha, para aceitar aquilo que deve simplesmente ser vivido, jamais cumpriria meu papel, minha missão, pois enquanto ela não fizesse sentido, encontrasse uma explicação, a qual teria de ser “plausível” a meu ver, nenhuma atitude poderia tomar diante as exigências da vida.
Logo, usando figuras de linguagem, parábolas, que para mim sempre são um acesso mais fácil e eficaz para entender e ver certos aspectos, me lembrou sobre o nascimento de um rio, cascata ou cachoeira, (...): a partir uma rocha, de um solo, seco, o primeiro impulso de fonte surge, porém, ao surgir, ele não sabe o que será, ele apenas sabe que deve prosseguir. Caso, a água parasse para pensar o que ela deveria/poderia ser, se tornar, ela não continuaria, não seguiria em frente, em conseqüência, ela cairia numa poça qualquer, na qual ela teria “total” controle da situação em que se encontra, pois saberia os limites de seu próprio contexto.
Contudo, ali, ela não teria sentido, seria apena uma poça, se chegasse a ser uma, pois, muito provavelmente, esse impulso de fonte, de rio, etc, secaria, e as coisas permaneceriam iguais, como se nada de fato tivesse ocorrido.
Por sorte, a água quando nasce não pensa sobre o que ela será, ela simplesmente é, gota por gota, chegando a formar um rio, o qual pode servir para matar a sede, ser usado numa plantação, abrir caminhos por onde passa, e até mesmo chegar a desembocar no mar, e uma nascente só consegue alcançar tais resultados porque segue o fluxo da vida.
Do mesmo modo, eu precisava parar de gastar meu tempo com as perguntas erradas, com preocupações descabidas, com o amanhã: “Não vos preocupeis, portanto, com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã se preocupará consigo mesmo”. Necessito, pura e naturalmente, viver minha fé, ao invés de buscar raciocínios, utilizar o intelecto e buscar/usar como fonte a arte da argumentação como base para minha vida, apenas devo vivê-la, para então, experimentar um encontro verdadeiro com o Aquele que dá o verdadeiro sentido à nossa existência.
É um desafio, de fato, conseguir viver além do medo, além da dúvida, convenhamos, é ruim apostar e perder, contudo, que escolha temos? Ao eleger qualquer opção, abrimos mão de muitas outras, e que mal há em errar, perder? Afinal, “quem não arrisca, não petisca”.

E ela esteja no meio de nós
ResponderExcluirXD
Otimo post amanda