Amanda Fontenelli

"Eis-me aqui, ora pela metade ou em descoberta, uma tentativa, simples assim.. "




segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Guia para "O Capital"



Historicamente, antes de o capitalismo se estabelecer definitivamente, havia um sistema econômico vigente, o feudalismo, cujo “regimento” permitia que os senhores feudais e os servos convivessem no mesmo feudo, no qual o servo trabalhava gerando lucros ao senhor feudal, que lhe permitia a posse de certa quantia dos lucros, e assim a sociedade caminhava.


“Nada dura para sempre”, já diz o ditado, e assim não fora diferente na história da humanidade, logo, o acordo entre senhores feudais e servos fora quebrado e “algo bom” acontecia, os servos agora estavam livres, porém, nem tudo são flores, e apesar da liberdade, nada mais possuíam (sem eira e nem beira) e se viram “obrigados” a vender o único bem que lhes pertencia, a mão-de-obra.


A partir de então se efetivou o sistema econômico que conhecemos tão bem nos dias atuais, o capitalismo, e as relações sociais e econômicas mudaram (de servos X senhores feudais para operários X proprietários dos meios de produção), assim, no dia do pagamento todos os operários recebem os salários respectivos ao trabalho fornecido, o acordo pode ser feito em relação às horas trabalhadas ou às mercadorias produzidas, de modo que: mais trabalho é mais dinheiro.


Todos nós temos necessidades (roupa, alimentação, lazer, saúde, educação, entre outros) e não é diferente com a classe operária, todavia, tais necessidades só podem ser satisfeitas mediante dinheiro, pois as mercadorias que irão supri-las pertencem aos empresários, que querem vendê-las.


A questão é: porque as coisas funcionam desta maneira? Tal fato foge da lógica mais óbvia, se os operários produziram as mercadorias, porque elas não lhes pertencem? O movimento capitalista vai contra esse raciocínio, sendo o grande mantenedor do ciclo em que está presa a classe trabalhadora: Trabalho- salário- gastos com mercadorias para suprir necessidades- novamente trabalho-... Ou seja, o trabalhador ao ter consciência que nada possui além de sua força de trabalho se vê estagnado num processo cujo objetivo é manter as relações econômicas que favoreçam o capitalismo.


Contudo, em momentos de crise econômica, as taxas de desemprego aumentam drasticamente, de maneira que muitos trabalhadores nem sequer possuem emprego, questionando se de fato o trabalhador possui sua força de trabalho, haja vista que o operário só pode concretizar sua posse caso haja efetivamente um trabalho, quando o burguês lhe oferece emprego e lhe paga um salário.


Tudo que se compra e se vende é mercadoria, e o trabalhador entra no mesmo cenário, pois para sobreviver, precisa continuamente vender sua mão-de-obra, ou seja, a única posse do trabalhador torna-se também mercadoria. De modo que a mão-de-obra passa a pertencer ao burguês (como qualquer outra mercadoria que pertence a quem a compra), pois ele a comprou no momento em que ofereceu o emprego.


Diante dessa lógica capitalista, muitos já ouviram comentários que reforçam a mentalidade de que os “operários devem ser gratos aos capitalistas”, pois estes lhes garantem o sustento, mas, o patrão apenas limita-se a dar ao trabalhador seu posto de trabalho, pois quem dá o trabalho ao empresário é o operário.

Tais relações se estabelecem porque o empresário busca o lucro e para atingir seu objetivo não paga ao trabalhador o equivalente ao trabalho executado (a soma de dinheiro igual ao valor das mercadorias produzias), mas sim o equivalente ao valor da força de trabalho.

Em suma, “nem tudo é o que parece ser”, somente aparentemente se paga ao operário, dessa maneira, percebe-se que assim como nas relações econômicas capitalistas, muitas vezes nos enganamos ao analisar certas relações sociais, pois, estando sob um dado ponto de vista (muitas vezes incompleto) não enxergamos toda a superestrutura escondida por detras dessas relações.


Desse modo, fica claro que não podemos ver as leis intrínsecas da sociedade e as leis ocultas da vida social humana de relance, é preciso mais cuidado e mais investigação, como Marx defende, ao dizer que a ciência estuda a verdade das coisas, sua natureza mais verdadeira, mais próxima do movimento real das coisas, ou seja, a ciência é quem vai além dos sentidos, do perceptível.




Assim sendo, para entender um fato social é preciso mais conhecimento, muito mais que a mera descrição do ocorrido, é necessária a análise das relações que o fato tem com o sistema.


Logo, diferentemente dos jornais que não passam de inúmeros relatos e na maioria das vezes (não podemos generalizar, apesar de ser difícil dizer qual jornal não é uma peça no quebra-cabeça do sistema capitalista, cujo objetivo é manipular) não possuem a intenção de questionar os leitores acerca dos fatos, mas apenas “informá-los” dos acontecimentos, tentando fazê-los engoli-los (goela abaixo), a ciência possui um método que busca a compreensão.


Marx é o primeiro a investir na tentativa de criar um método capaz não só de interpretar e questionar as relações sociais, mas mudá-las, e para isso escreve “O Capital”, obra que não só descreve, mas analisa todo o sistema capitalista, de maneira tão completa, que mesmo após tantos anos (143 anos, a obra fora publicada em 1867) continua a explicar com muita destreza a essência da exploração capitalista, apesar desta ter assumido múltiplas faces.

Ou seja, a forma mudou, mas, não o conteúdo, a natureza interna do capitalismo não se alterou desde a época de Marx, por isso a importância de conhecer sua obra (me desculpem pelo “favoritismo” com a obra de Marx, mas é claro que nem posso deixar de fazê-lo considerando que meu curso -Serviço Social - tem como base acadêmica o marxismo).


Enfim, assim como propõe Marx, devemos assumir nos dias de hoje uma postura semelhante, para melhor julgarmos o momento em que vive nossa sociedade e para também vivermos melhor, pois entendendo a ideologia vigente saberemos distinguir nossos sonhos dos sonhos que compramos do sistema, rompendo o ciclo capitalista de nossas vidas, logicamente nos tornando mais livres, não 100%, porque é impossível, segundo o marxismo somente numa outra sociedade, cujo sistema econômico não é o capitalismo, porém, essa é outra discussão.



Fico por aqui, beijos.



OBS: "Trabalhadores do mundo uni-vos, vós não tendes nada a perder a não ser vossos grilhões”.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Mulheres: girls like 'em Big





Hoje, iniciei a tentativa de me situar nos últimos acontecimentos ocorridos no mundo, não demorou muito para encontrar fatos muito interessantes sendo relatados pelos noticiários. Logo de cara, duas reportagens que possuem muito em comum já me chamaram a atenção (o elo entre ambas: o posicionamento das mulheres na sociedade).

Primeira reportagem:
O cargo de presidente do Flamengo (mandato de 3 anos) foi conquistado pela primeira vez, por uma mulher, Patrícia Amorim, primeira a ocupar um cargo importante num time de destaque, cujo currículo fala por si mesmo, vereadora do Rio de Janeiro, atleta(nadadora) renomada nos anos 80, de modo legitimo, haja vista os méritos que lhe concederam tal conquista.
Segunda reportagem:
Cristina Kirchner, presidente da Argentina, nomeou (após exonerar o Martín Redrado da presidência do Banco Central) Mercedes Marco del Pont para ocupar o cargo, a qual dirigia o Banco Nación.
Apesar de muitos questionarem tal decisão, pois representa menor liberdade para a atuação do banco central, devido à ligação de Mercedes Marco com a presidente da Argentina, tal fato é de uma relevância incontestável.

Comentário:

As mulheres que nos últimos anos assumiram cargos de relevância na sociedade mostram as vitórias alcanças na luta pela igualdade de gêneros, todavia, apresentam também o perfil comum (em geral, masculinizados) daquelas que venceram na política, na vida profissional, entre outros meios, na luta pelo destaque da capacidade feminina de crescer, de delegar e de atuar (não só na vida familiar) nos diversos cenários sociais.
Desse modo, percebe-se que as mulheres, para se fazerem respeitar numa sociedade machista, se protegem (adicionando a suas personalidades características consideradas “masculinas”) igualando-se aos homens, exemplos na sociedade brasileira não faltam (Heloisa Helena, Marina Silva e Dilma Roussef, são só os clássicos), porém, apesar disso, não escondem em nenhum momento sua feminilidade, haja vista que cada atuação feminina, nesses cargos e em muitos outros, tem sua característica própria, torneada pela percepção (a qual sempre será diferente da do homem, o que não significa melhor nem pior) maliciosa, esperta, delicada e sensível, que só uma mulher é capaz de ter.
Diante do fato exposto, observa-se um excelente momento para se parabenizar a conquista da sociedade (nessa hora, fala-se diretamente da conquista dos gêneros, pois a ditadura do machismo prejudica não somente às mulheres, mas aos homens também, os quais se vêem obrigados a assumir determinadas posturas pelo fato de serem “condizentes” com o papel de um “homem” na sociedade, porém, quem as determinou?), não apenas a conquista das mulheres, pois apesar de serem as grandes beneficiadas, apenas estão garantindo seus direitos, e para a sociedade isso representa um passo à vitória na garantia dos direitos humanos, logo, dos direitos das mulheres, homens, gays, de todos nós.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Miles Davis- Summertime

Início:

Provocação:

O blog foi criado devido uma busca (insistente e sem roteiro, despreparada) por respostas, por desabafos, pelo mero ofício de exercitar a escrita, pela diversão e até mesmo pela companhia.
Em suma, o blog é um desafio, primeiro por requerer disciplina, exigir certa disponibilidade e criatividade para escrever, além de habilidade para entreter e atrair o público, apesar do intuito principal não ser a popularidade, mas sim, a interatividade, o debate, porém, não descarto a excelente função de diário, cujo papel é guardar todos os relatos, todas as idéias.
Claro, sem esquecer o quesito saúde mental(o mais leviano de todos os motivos)pois a memória deve ser exercitada, logo, nada melhor que relembrar cada acontecimento do dia, desde o mais bobinho às impressões mais complexas acerca da vida(últimos acontecimentos).
Percepções:

Como já dito, a tentativa de manter um mínimo número de redações diariamente é um desafio, pois representa muito mais uma bateria de exercícios, a qual busca o aperfeiçoamento: auto-conhecimento, argumentação, crescimento pessoal e intelectual, diversão.
Passatempo:

A motivação para criá-lo é o prazer, às vezes fugaz e infantil, outras, um prazer mais sério, ligado à expectativa, ao descobrimento.
Título:

De fato, o titulo do blog é uma incógnita, até porque não sei o espírito que meus escritos irão assumir, nem mesmo a identidade que quero passar e ter por aqui, logo, por enquanto, colocarei: Sem definições.