“Estamos oficialmente de greve”: foi a frase mais ouvida nos últimos dias nos corredores da UnB, muitas explicações a respeito da paralisação dos professores foram dadas, mas gostei especificamente da explicação do meu professor de Fundamentos de Políticas Públicas, na aula de hoje, explicando o significado de uma greve no ensino brasileiro, especialmente a que enfrentamos nesse momento, a qual seria um sintoma do “desmazelo governamental” com o ensino, com os professores, que tiveram ¼ de seu salário cortado, defendeu o papel dos alunos na greve (inclusive incitando-nos a “invadir” o MEC, como fizemos na reitoria há um tempo atrás), considerando todos os estudantes das universidade públicas brasileiras a “nata” da sociedade, haja vista o acesso que teríamos ao conhecimento, nos tornando cidadãos mais “conscientes”, e como nos foi “dado” maior visibilidade do contexto social, mais no seria cobrado, ainda mais no cenário político.
De fato, é muito frustrante voltar às aulas, passar pela entrada da UnB, ver todo aquele verde, o ICC lotado de carros, andar pelo pavilhão movimentado com tantas faces novas, ir a biblioteca pela manhã e escolher uma das minhas favoritas cabines de estudo, participar da recepção dos calouros, ver alguns deles nos mais variados trotes, e não poder conhecer o conteúdo das disciplinas que compõem minha grade horária.
Enfim, e ainda ver a tentativa de alguns professores em continuarem ministrando as aulas, porém, sem sucesso, pois a maioria dos alunos não quer ir à universidade por conta de uma ou duas matérias apenas.
Todavia, mesmo nesse cenário tenso dentro da UnB, nunca me senti tão feliz por estar de volta, por entrar no ICC e escutar música, ver as pessoas vendendo ingressos para as festas que irão acontecer, estava realmente com muita saudade.
Os últimos dias foram densos, reencontrei meu passado da pior forma possível, descobri novas mentiras, percebi o teatro alheio, senti mágoa, tive contato com os mais variados sentimentos (fracasso, perda, fim definitivo, responsabilidade, falta de um pedido de desculpas, de explicações, dúvida, etc) e com as mais variadas suposições, fico vivendo num eterno “e se”, tentando descobrir o que se passa na cabeça do outro e na minha cabeça.
Uma coisa é clara: todo esse fim desastroso está chegando aos seus últimos momentos, pois as coisas tendem a tomar seu próprio rumo, eu já tomei meu caminho, já fiz minha escolha, porém, até que ponto eu, você, nós temos ciência das escolhas que fazemos? A vida é um eterno escolher, mas nossas opções são limitadas, por nossos genes, educação, âmbito social, personalidade, caráter, valores atuais de nossa sociedade, enfim, as escolhas vão desde qual sabor do sorvete que quero tomar à qual carreira seguir, que tipo de casamento que quero ter.
Tudo começa numa postura de vida, como estou mais reflexiva, mais “romântica” e saudosista, ultimamente, tenho me detido às belezas de Brasília, sempre olhei para minha cidade com um olhar desconfiado, cansada do seu mundinho pequeno, no qual todos se conhecem, entediada com seus “points” mais óbvios, porém, num desses preconceitos me esbarrei com várias belezas, até então desconhecidas para mim, tive a sorte de conhecer duas “quebradinhas” no Lago Norte, que dão acesso ao lago, a primeira mostra um lago limpo, bom para nadar, silencioso e sem muito movimento, com peixinhos por toda parte, com muito verde, algumas pedras, lanchas passando de vez em quando, algumas casas muito bonitas, mas especialmente, conta com a presença (ao menos contou, no domingo em que estive lá.) de uma garça branca, a mais delicada que vi, voando, passeando pela margem d’água, a segunda é na frente do Clube do Congresso e marca mais pela vista, de lá, é possível ver o Palácio da Alvorada, a Bandeira da praça dos três poderes e mais.
As duas vistas me surpreenderam, pois não pude deixar de curtir o sol, o vento e o clima de Brasília, as outras belezas foram retiradas do meu dia-dia, do meu itinerário rotineiro, passando pelo Buriti, vi as fontes ligadas no fim da tarde/inicio de noite, aquele azul de fundo, bonito de olhar, me fez lembrar de filmes antigos, bem românticos, nos quais o casal apaixonado aparece vestido de roupa de gala se beijando em frente a alguma fonte, ou a algum monumento bonito, com um jazz de fundo, um som meio “Louis Armstrong e Ella Fitzgerald”, o que foi um momento bem “sinestésico”, pois me retirou da correria que tenho durante a semana e me relaxou, pois me mostrou a fé que devo ter no futuro, pois, na vida, sempre há algo melhor pela frente, como um amigo muito querido me disse “o ouro e a prata são testados pelo fogo”, dessa maneira devemos encarar os momentos difíceis, que sempre passam.
Também vi beleza na cruz localizada atrás do memorial JK, na qual ocorreu a primeira missa celebrada em Brasília, um dia, a toa, resolvi parar e ver o por do sol ali, estava chuviscando bem de leve, mas foi muito bonito, já fui ali muitas vezes, mas desta vez foi diferente, pois foi a primeira vez que fiquei de mãos dadas comigo mesma, foram só uns 20 minutinhos, mas foi o suficiente para me fazer pensar: Estamos de fato vivendo? Temos consciência de nosso propósito nessa vida? Até quando viveremos por viver, jogando fora nossa vitalidade?
No sábado não tinha nada para fazer e minha vizinha com suas amigas (duas irmãs, uma de 12 anos e outra de 9 anos) me chamaram para passear com a minha cadelinha, Nikita, foi uma delicia, tirando as piadinhas na minha casa “virou pré-adolescente?”, foi uma tarde muito gostosa, “invadimos” outros prédios, ficamos com os pés na piscina do terraço de um bloco enquanto o sol esquentava intensamente nossas peles, conversamos sobre as liberdades que elas desejam alcançar, ouvi suas impressões sobre como ela idealizam a “maioridade”, deu inveja da vitalidade que elas possuem, do brilho que carregam nos olhos, da esperança que elas têm, é algo muito belo de ver e presenciar.
Em resumo, coisas lindas estão por toda parte, mas a beleza mais difícil de encontrar é aquela que está dentro de nós mesmos, é aquela luz que brilha mesmo quando estamos tristes, para mim, a maior beleza é aquela que está presente independente de qual contexto nos encontramos, é nela que devemos dar base ao nosso ser, é nosso alicerce, pois são nossos valores, que não fazem mal a ninguém, ao contrario edifica o outro, sabe, algumas pessoas têm a qualidade de atrair muitos para perto de si, todos conhecemos alguém que queremos estar perto, junto, pois ela nos dá paz, nos acalma? Então, essa pessoa tem essa beleza.
Cada um tem uma beleza, beleza de ser animado mesmo quando nada vai bem, beleza de dar um ótimo conselho aos que precisam, beleza de perdoar o outro, beleza de não ser orgulhoso e fazer as coisas acontecerem, beleza de ser determinado e lutar pelo que se quer, enfim, são inúmeras belezas. Qual é a sua?Qual é a minha? Eis a questão.
[Música: getting over - david guetta]
[All the things I know right now,If I only knew back then,There's no gettin' over,There's just no getting over you.Wish I could spin my world into reverseJust to have you back again]

Ei menina,descobri teu blog! =)
ResponderExcluirComo estás? E essa greve?! Também tava com vontade de voltar,mas nem fui na UnB esses dois dias...
Beijocas
E a Amanda na sua infinita beleza de escrever bem! rs É isso aí mocinha! Muito bom!
ResponderExcluirbjos!
Céus! A cada dia descubro mais alguém que se permite divagar um pouco nessa internet de todo mundo. Que bom descobrir seu blog, Amanda. :)
ResponderExcluirdefinitivamente, tenho a cada dia boas surpresas nessa internet. a mais recente é descobrir seu blog, que eu pretendo frequentar mais a partir de agora. ;)
ResponderExcluireu sei que nem te conheço...mas senti uma puta indentificação com várias coisas escritas nesse post. espero que não me leve a mal. criei meu blog recentemente e estou simpatizando com uma série de pessoas pela escrita. ahh! sou amigo da vivian ;D
ResponderExcluire acima de tudo, tenho simpatia por pessoa que fazem serviço social. heiuehieuh
(:
vitor__venancio@hotmail.com
ResponderExcluirgrato pela gente boisse. heiuehieuhe
se não for muita ousadia, te seguirei por aqui. ^^
Também não te conheço, mas adorei o blog. Acho que a leitura é sempre uma fonte de inspiração a todos nós. E descobrindo seu blog, acabo de descobrir mais uma ótima fonte de inspiração. Você escreve muito bem!
ResponderExcluirO lance que vc escreveu da beleza e da vitalidade das meninas... coisas que as vezes a gente não pára pra pensar, realmente. Me deu um toque pra várias outras coisas. :D
Continue escrevendo! Gostei bastante mesmo!:)