Amanda Fontenelli

"Eis-me aqui, ora pela metade ou em descoberta, uma tentativa, simples assim.. "




sexta-feira, 9 de abril de 2010

O túmulo está vazio.



A Páscoa passou no calendário, todavia, permanece em nossas vidas, sendo “Páscoa” “passagem”, estamos sempre de passagem, a vida terrena é uma passagem, e aí, entram as crenças de cada um, passagem para algo melhor, passagem para outra vida, mais desenvolvida e diferente da experiência anterior, passagem para o nada, para o finito e pronto, e para mim, passagem para a vida eterna.


Experimentei (tive a benção/sorte/graça de vivenciar) uma semana santa diferente, repleta de pessoas ávidas por viver A Verdade, descobrir O Sentido das coisas, resolver cada empecilho presente em suas vidas, os quais as impediam de viver plenamente, problemas que para elas (ao sairmos de Brasília, na quarta-feira, rumo à São Paulo) era insolúvel, na volta (domingo) ou estava prestes a ser solucionado ou já fora resolvido, mas principalmente, desejavam viver em Cristo (ao menos durante aquela semana).


Dessa maneira, eu também passei os dias do “feriadão”, refletindo sobre cada detalhe que compõe a minha vida, sobre cada parte que compõe o mosaico do meu dia-dia, mas principalmente, pude enxergar o Caleidoscópio que sou, a importância de cada mínima parte do meu ser, cada característica que me torna essa criatura, esse ser tão “humano”, o qual, a partir de cada mínima composição, varia, se diferencia, se transforma, sofre metamorfose, sob cada ótica que vou assumindo ao girar o caleidoscópio.


Assim, parei de criar hierarquias em minha vida, colocar em ordem de importância cada parte que compõe meu ser, pois todas as partes são únicas, não podendo ser analisadas sob uma ótica valorativa, haja vista que todas devem ser postas no mesmo pedestal.


Logo, ao sermos (eu e você) seres tão complexos jamais poderíamos permitir (apesar de não só permitirmos, como defendermos e propagarmos) a redução do nosso ser à mera disputa, ao status, às nossas atividades diárias, ao egoísmo, ao que possuímos, ao que pensamos, à beleza e ao nosso intelecto (sim, porque a beleza passa, o tempo corre e “acidentes” acontecem, roubando toda “arte” e com intelecto não é diferente, surgem novos “gênios”, a idade chega, junto com as doenças, falta de memória, etc), às pessoas que fazem parte de nossas vidas, chega um momento em nossa trajetória pessoal, em que nos deparamos com o vazio, o vazio de nossas conquistas, o vazio do ser que nos tornamos, o vazio do mundo, e desejamos mais, desejamos mais que momentos de felicidades, de paz, desejamos a plenitude das coisas.


E o mais incrível que pude constatar durante esses dias: cada pessoa possui dons inatos tão belos, cada um possui uma história de vida que não poderia ter sido diferente, apesar dos erros e das dificuldades, pois caso contrário, impediria cada um de ser o que é, logo, geras as conseqüências que gera na vida alheia. Ou seja, o que torna a vida bela é o que fazemos com os presentes que ela nos oferece, a vida é possibilidade, é “infinitude”, assim, o que devemos questionar é a postura de vida, a Vida em Cristo ensina a aceitação e não a reação como o mundo propõe, a filosofia atual nos pede para reagirmos, sermos firmes com as pessoas e com as coisas, sermos enérgicos ao conquistarmos nossos objetivos, porém, Deus nos fala de outra esfera de atitudes (a qual para o mundo seria um modo de aceitar os fracassos, o modo como os perdedores escolhem para conseguir viver, aceitar todas suas perdas), repleta de renúncia.


Renunciar é abrir mão de nossas vontades, exercitando o ato de “sair de si mesmo”, ser flexível diante da vida, pois, todos nós, em algum momento, tivemos que nos dobrar diante das circunstâncias, mas, essa resignação não é só aceitar e pronto, é ver que não podemos ser mimados, acreditar que tudo podemos exigir e que temos o direito de sermos escutados sempre, termos amigos disponíveis a todo o momento, sucesso constantemente, é literalmente, reconhecer antes de si mesmo, o outro.


Dessa maneira, independente de sua religião ou crença pessoal, é sempre importante (e eu garanto, traz um “bem danado”) nos renovarmos, tirarmos do armário o que há de velho, tirar de nossas vidas o velho, modificarmos os nossos “velhos defeitos”, começarmos a dedicar tempo (um bom tempo, razoável tempo do nosso cotidiano) à vida espiritual, à reflexão, para sermos, não só diferentes a cada etapa da vida, mas melhores, pois deixamos os maus hábitos no passado, a fim de conquistarmos outros mais saudáveis.

“Era tarde da noite, porém, ainda era cedo. Nunca é tarde para mudar.”

Um comentário:

  1. Caio Kendy Suguimoto20 de abril de 2010 às 09:11

    Sim, realmente deu pra aprender várias coisas, e deu para "renovar". Mudei o meu jeito de pensar sobre muitas coisas que eu era "apegado", consideração que tinha para com os amigos, colegas.
    E deu pra tirar do armário o que há de velho, foi ótimo ter conhecido pessoas maravilhosas nessa viagem, se bem que nos conhecemos na volta né? E com os demais que fizeram com que a nossa volta pra Brasília fosse bem divertido.
    Belo post ^^

    “Era tarde da noite, porém, ainda era cedo. Nunca é tarde para mudar.”

    Vou levar essa frase comigo tá? E tenho mais uma coisa para você, " O túmulo está vazio" :)

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