Amanda Fontenelli

"Eis-me aqui, ora pela metade ou em descoberta, uma tentativa, simples assim.. "




sexta-feira, 4 de junho de 2010

Brasília: Cidade Maravilhosa, cheia de encantos mil

Brasília é uma cidade curiosa, a começar pela sua criação, repleta de planejamento, idealismo, política e arte. Considerada um patrimônio cultural, possui importância única no Brasil, tanto por seu significado enquanto capital, quanto ao estilo de vida que os brasilienses levam (famosa ilha da ilusão, a vida que alguns levam é surreal perante a realidade do Nordeste, por exemplo).

Conversando com algumas pessoas nesses últimos dias sobre Brasília, sobre o que a tornava tão única, concluímos que são intermináveis suas características/qualidades: o famoso “debaixo do bloco”, a época das cigarras, o período da seca (para alguns o pesadelos dos lábios rachados), o lago e suas “quebradinhas”, o céu mais bonitos para admirar, os programas alternativos e gratuitos sobre cultura/diversão/arte, a esplanada e suas manifestações, a praça dos três poderes (para muitos, local no qual habitam inúmeras recordações), parque da cidade, as crises políticas, os churrascos sem carne, mas com certeza com open bar, a brisa gostosa durante a maior parte do ano, enfim, a lista foi aumentando, (se estendendo ao cerrado: cachoeiras, olhos d’água...), porém a principal e mais marcante característica da capital, unanime entre todos: Brasília é um ovo, de codorna.

De fato, na quarta-feira, pré-feriado, constatei, eu mesma, em meio a “Brasília inteira”, (inúmeras pessoas num só lugar), que: quando os brasilienses saem a procura de diversão eles vão para o mesmo lugar, no caso, o happy hour do CAFAU.

A partir de então, me senti numa cidade interiorana moderna, pessoas que não via há muito tempo estavam ali, pessoas que convivo diariamente (e que não me canso nunca de ver, tá?) também, ou seja, praticamente, todos os círculos de amizades de todo mundo estavam lá.

Jamais presenciei nos jardins da UnB, no teatro de Arena, tanta gente unida, o som não era o maior atrativo, até porque oscilava: alguns carros apareciam, colocavam alguma música legal, daí parava, depois mais um insistia em colocar um funk, o mesmo ciclo de festas improvisadas, mas as pessoas não ligavam, elas queriam se divertir (afinal de contas, a bebida estava barata né?).

Tal clima contagia, e quando percebemos, sabíamos muito sobre a vida de cada um, nós ali sentados na mureta ao redor de um balanço, em frente ao CAFAU, conversamos, improvisamos, conhecemos novas pessoas. O melhor, grupos diferentes se fundem numa noite, ao ponto de desconhecidos entre si, saírem juntos, como se já se conhecem há tempos.

A noite terminou: comigo dirigindo sozinha na madrugada, o céu estava muito bonito, nublado, a torre de TV tinha pelo menos 1/3 de seu tamanho encoberto pelo cinza, todavia, embaixo dessa nuvem acinzentada, se encontrava uma cor levemente vermelha, e embaixo, claro, o céu, escuro da noite, da madrugada. A coisa mais linda que vi nos últimos dias, era poesia pura, Deus me falando: “Querida, você está viva!”.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Carta ao remetente

Querido (a),

Há muito tempo não nos falamos, na verdade, foram raríssimas vezes que nos encontramos, conversamos verdadeiramente, cara a cara, eu e você, estamos nos evitando, eu sei, e gostaria de pedir desculpas, pela minha covardia, pela minha fuga, pelo meu de repente, por aquele dia, nem me lembro com detalhes, sei que deve ter acontecido, no meio da minha vida, no meio da sua, da nossa, acho que fazia sol, estava quente, aquele ar pesado, os olhos, meu olhar, meu pensamento, o seu, você, (silêncio), preferi correr, uma tentativa de não ser, de fugir das imposições do fato de estar vivo, de viver, respirar, ocupar um corpo, ter uma mente, um coração...

Enfim, hoje, (sempre o hoje, não é meu amor?) decidi, resolvi não te deixar ir, me escapar novamente, o que importa é que resolvi voltar, te reencontrar, apesar de suas certezas, de sua sabedoria quanto ao que aconteceria, obrigada pela paciência, pela onisciência, pela presença, pelo “observar de longe”, “cuidar, guiar no escuro”, muito sincero, muito humano.

Os últimos dias foram bonitos, (te deixarei a par, daquilo que já sabe, mas que prefere ouvir de mim, com todo carinho), esse é o único adjetivo que poderia usar, teve poesia, amor, docilidade, muita feminilidade, (quase um filme estilo Almodóvar, claro com muito exagero e pouca modéstia, com sua visão feminista sobre o poder das mulheres em serem o que são, de carregarem consigo mesmas a beleza, a delicadeza, a inteligência emocional como diriam alguns alunos de psicologia (*), o que há de singelo no raciocínio feminino, na maneira de ver a vida), bom, os dias tiveram verdade, é o que posso afirmar, um pouquinho de mim, da minha essência (recém: descoberta, querida, protegida, minha nova conhecida, estamos lidando bem uma com a outra, o começo está doce, como deveria ser.)

Estou indignada querida (o), as pessoas estão (desta vez serei flexível, darei uma chance para elas se defenderem, elas não são, é muito duro afirmar que as pessoas são, até porque se tratam de defeitos, elas estão, é uma fase, um período, pelo menos, assim espero) cegas, não querem ver, e acreditam que a mentalidade atual é a sanidade (individualidade, meu caro), porque louco é o amor, sim, pois, dividir vidas, defeitos, fracassos e derrotas, ser o que se é sem máscaras, abrir, melhor ainda, escancarar a porta da sua vida pessoal para que outro acesse sem restrições ao seu lar, à sua intimidade, construir um futuro sem certezas, sem controles, sem garantias, sem contratos e regras, só pode ser loucura e das maiores, (silêncio), estávamos longe um do outro, por isso quero falar, você me deixa falar?

Consegue se lembrar daquele dia, em que nos olhando nos olhos, nos cumprimentamos com carinho, trocamos até elogios, como me sentia bem, você estava linda(o), impecável, os olhos alegres e de uma cor que só lhe pode ser única, sua, claro, castanho, ora escuro, ora claro, ora um mar de cores, de tons terra, tons vívidos,(respiração leve e mais duradoura, e um sorriso nos lábios que só os apaixonados sabem fazer sem perceberem que estão sendo notados), pois bem, ali, naquele instante, o qual na prática deve ter durado segundos, mas nos pareceu uma eternidade, dado o tamanho de nossa intimidade naquele momento, eu decidi, ser eu mesma, assumir as conseqüências por estar viva, por ser quem eu sou.

Num romantismo doce e livre que me abateu nos últimos dias, tive fé, fé em mim, em você, pois acredite, eu sou única e você me acompanha nisso, pois quando ouço uma música que me faz sorrir, olhar pela janela do carro e me sentir livre para seguir sem rumo, pegar uma estrada e enfrentar sabe se lá o que vem pela frente (eis a benção de Deus, esconder-nos o futuro, pois é muito mais gostoso não saber o que vem em seguida, o gostinho da adivinhação e da expectativa é insubstituível), me sentir em mim mesma, em nenhum lugar, exceto no que de fato me encontro, ouvir um jazz, cuja letra cada ouvinte monta, decide, interpreta, (é o ato de colorir, porém fora das linhas do desenho impresso no álbum de pinturas, esperando para ser pintado), cada dia em que se ouve dada música é uma nova possibilidade, pois é um novo espírito, é uma nova pessoa, nunca é o mesmo ouvinte, sim, tenho me aconselhado, me baseado no pensamento de Heráclito (princípios: tudo é movimento, nada pode permanecer estático, tudo fluí, “não pode banhar-se duas vezes no mesmo rio”).

Em suma, você, minha alma gêmea, meu ser, meu próprio eu, te escrevo para garantir-lhe: ainda há esperança, para mim, para nós, para a humanidade, caso ela se permita ser louca (ir contra a maré, nadar nos sentimentos, na paz, na ausência de controle, no dia após dia, nas cores, no céu, nas pessoas...).

E aí, vamos ser loucos?

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Desabafo espontâneo/instantâneo

É sempre difícil começar um texto, várias idéias nos vem à cabeça, cada uma poderia gerar excelentes discussões (como é bom conversar com aqueles que gostam de debater os porquês, as formas, as filosofias, os valores, simplesmente, questionar. É muito bom ter ao lado alguém com uma mente pensante, pronta para analisar desde o porquê das cores, ao por que da vida, o questionar do nome das coisas: “porque cadeira se chama cadeira?” às mais profundas questões da alma: “para onde vamos?”).

Enfim, deixarei o pensamento vir, brotar, ser natural, tentar escrever aquilo que me vier a cabeça, como uma sucessiva extensão do que sou, do que penso, do que consigo imaginar: até então, vivi acreditando que era relativamente “questionadora”, estou sendo sincera aqui, por favor não julguem, deixem o julgamento fora desta página, questionadora, no sentido de não aceitar, ser sempre desconfiada com as coisas, elas são sempre muito dadas, impostas não poderia se certo, ao menos deveria me proteger, interrogando-as para conhecê-las melhor, pura prepotência, um modo de gostar da brincadeira com os significados das coisas, mas, de uns tempos para cá, já havia percebido que meu “pensar” era lugar comum, nada de mais, repetição do que já fora dito: mais uma se arriscando, ou melhor, se atrevendo a escrever, a falar, a opinar, a meter o nariz aonde não foi chamada, mas hoje, sempre o hoje, tive certeza.

Certeza de que sou alienada, completamente: vivo fechando os olhos, na tentativa de garantir maior segurança, insensato não é? Pois é, mas a mente humana tem dessas coisas, o ilógico é chamado de raciocínio, as loucuras de ciência, os resultados e justificativas mais loucas de “cientificamente provado”, desse mesmo modo, não poderia eu, (simples garota, uma burguesinha, “pseudo-intelectual”, iniciante na caminhada de analisar a vida, descobrir as coisas...)agir diferente, nessas horas admiro mulheres como Joana D’arc., modelo inalcançável, para uma “pobre mortal” como eu.

Pois bem, sendo o que sou, me alieno, e acredite por escolha própria, é melhor viver assim, sem saber os efeitos dos meus atos na vida alheia, no mundo, no “efeito borboleta” do outro lado do mundo, mas principalmente, saber como minhas escolhas afetam, a minha vida (sim, não temos total consciência do poder de nossas decisões e de suas conseqüências em nós mesmos), sua vida, caso você leia, não estou sendo convencida, mas tudo interfere em nós, no nosso “limiar de pessoa” (simples expressão, deixa eu explicar, o mundo é algo parecido como uma teia de aranha, cada fio que compõe essa teia representa uma pessoa, uma escolha, enfim, que vai desencadeando outras teias, até não se saber mais, quem originou quem, entendeu?), logo, sim, quando você opta por deixar de ver televisão, ler outro blog mais legal, ficar no Orkut, ou no MSN, para ler meu texto, sim, estou fazendo diferença em você, porque, por mais idiota que você ache meu texto, ele interfere no seu “pensar”, ou moldando-o para algo novo, ou reafirmando-o em dadas crenças ou alimentando sua alienação.

O fato é, não sabendo quem sou, fugindo constantemente dessa tarefa, deixando-a escapar às vezes (estou sendo muito gentil comigo mesma, porque são poucas, mas poucas, vezes), quase nunca, atividade cada vez mais rara, deixo-a fluir enquanto dirijo, enquanto durmo (momento em que me inconsciente discute com meu consciente para processar os dados resultantes das minhas frustrações, felicidades, rotina, desejos, etc.), enquanto tomo banho, almoço, vejo TV, enfim, em poucas ocasiões (sempre algo meio acidental, do tipo “ops, tava prestando atenção na professoras, mas agora estou pensando no que irei fazer quando acabar aula, como serei daqui 30 anos, o que quero da vida, se o céu pode ser medido..”), nunca dediquei tempo exclusivo à arte de pensar, sim é uma arte,(como queria ser uma artista, já falei para vocês como sonho em pintar quadros, estudar cênicas, viajar pelo mundo, tentar entender as belezas mais discretas e ao mesmo tempo mais gritantes, mais escandalosas, é, a verdade é assim, simples mas escandalosa, como: ela é assim, enigmática, porque a escondemos (no dia-dia, no capitalismo, no socialismo, nas ideologias baratas, naquilo que achamos natural mas não deveria ser) quando estávamos no paraíso, Adão e Eva fizeram esse favor, e claro, dócil, como o escândalo de uma rosa se abrindo.

Bom, vejo que estou me prolongando, mas pensei “o melhor jeito de tornar um texto rápido e fácil de escrevê-lo é deixá-lo nascer, brotar, quase pronto”, apesar de ele já estar pronto, (acredito cada vez mais naquela teoria doida do Lost, não sei quantos aqui são viciados como eu, mas faz sentido, as coisas simplesmente já aconteceram, porque tinham que acontecer, o destino é destino, temos que aceitá-lo e nos divertirmos com ele, ao invés de envelhecermos lutando para que as coisas sejam do nosso jeito, porque elas já o são, o medo de que elas não sejam como deveriam ser, de que não façamos o papel que devemos cumprir, é que nos torna tão velhos e alienados).

Alienada e covarde, fujo do silêncio, a cada dia uma nova tentativa: exercitar o silêncio no carro, parar de colocar músicas exaustivamente barulhentas ou até mesmo “calmas” como as musicas clássicas para escutar enquanto dirijo, estudo, tomo banho,enfim, para então: ler, tocar, viver, experimentar o silêncio, o silêncio dos objetos, da verdade, do meu ser, da cor do meu ser, da cor do meu coração, do meu viver, (que cor eu sou?que cor minha alma tem? Que perfume meu viver transborda? isso não é poesia, é literalidade, sim, já pensou sobre isso?Que cor, cheiro, textura você tem?), sim,quero me encarar, e tenho fugido, porque sou covarde, tenho medo do que encontrar, medo do que tenho de enfrentar, e me escondo, nos discursos políticos, nas discussões sobre a emancipação feminina, nas músicas, no dia-dia, na correria mesmo, no curso de inglês e espanhol, na natação, numa ligação, tudo é artifício para afastar do meu campo de visão a verdade: a maior e única discussão válida para qualquer época, qualquer momento, idade, temperamento, inteligência, humor, coração, caráter, enfim, é:“quem somos nós”? Conhece-te a si mesmo: o primeiro pilar da filosofia, não é à toa, né?