quinta-feira, 10 de março de 2011
Quem sou eu, diante dos meus próprios olhos?
(....)
Queria viver a possibilidade do poema de Manuel Bandeira, ir para algum lugar que fosse meu, meu refugio, meu alento, no qual eu seria livre, me tornaria o que sou.. Seria como deveria/ deve ser, nem muito a terra, nem muito ao mar...
Vou-me embora pra Pasárgada - Manuel Bandeira
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.
sexta-feira, 4 de março de 2011
Re- Abertura!
Resolvi voltar..
' Hoje é sexta-feira, voltei para casa... '
Quero/pretendo escrever sempre..
domingo, 5 de setembro de 2010
E você?

[http://www.youtube.com/watch?v=e2Ma4BvMUwU]
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Ah, eu quero!
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
C:\Users\Amanda Fontenelli\Music\Cute Girls\Mark Ronson & Amy Winehouse - Valerie.mp3
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
For you I was a flame/ Love is a losing game
Logo, nunca poderíamos falar em verdade de fato, no máximo, nos arriscaríamos a falar em termos de aproximação. John Locke completou dizendo que o único conhecimento que temos é adquirido pela experiência, já Kant defendia conhecimentos a priori, segundo ele, o ser humano já nascia com noções de conhecimento, a experiência apenas dava matéria, consistência a essas noções.
Todavia, Marx inaugura a base de toda teoria da contemporaneidade, é o primeiro a falar na capacidade intersubjetiva do homem: o conhecimento é fruto da dialética entre sujeito e objeto, antes mesmo de haver racionalidade, havia o homem interagindo com o meio.
Já o idealismo defende a poesia: “o conhecimento tem origem na idéia”, o ser é a idéia que se exteriorizou, tal qual volta para si mesmo a fim de reconhecer a própria existência, o ser seria a idéia de um criador posta em prática.
Seja como for, diante de qualquer ponto de vista, somos todos filósofos na vida, na medida em que questionamos, buscamos nossa felicidade, discernimento diante de cada situação, tentamos sair da matriz que coordena a realidade ao nosso redor, muitas vezes, fantasiosa e distorcida.
Da mesma forma, hoje me encontro no meio do caminho, na metade da estrada, numa encruzilhada, sem saber se sigo em frente ou se viro a direita/esquerda, sou constantemente: “uma tentativa, simples assim”, uma eterna busca, cada vez, mais insaciável: com as minhas escolhas, com os encontros e desencontros que a vida me proporciona, enxergando a limitação de tudo e de todos, tenho uma percepção quase desiludida diante do mundo: diante da concreticidade da vida: percepção que o sujeito tem do concreto, não sei quais são meus ideais, para quais vivo, o que desejo construir, até que ponto sou fiel às minhas expectativas e até onde vai minha defesa por elas , enfim.
Nos tempos modernos, vê-se uma sociedade egoísta, rodeada de medos: de intimidade, da sinceridade, em assumir-se com defeitos e fraquezas, e muitos seguem querendo complementos ao invés de reais relacionamentos, deseja-se uma vida glamorosa: sem perdas, sem dores, feita de acertos contínuos. A sociedade atual é uma produção em série de pessoas mimadas, cada qual trabalhando em cima de idéias, ilusões, nada é palpável, vivemos no mundo “metafísico”, nunca na realidade.
Todavia, essa não é a realidade que quero para mim, cansei de caminhar sob a égide da teoria, quero prática, quero sentimento, intensidade, sinceridade: Reciprocidade. Quero apostar, quero tentar de verdade. O tempo não é linear para mim, um dia pode ser uma eternidade, a eternidade um dia: “Só quero saber do que pode dar certo”, não existe meio termo para mim.
domingo, 1 de agosto de 2010
"A paz esteja convosco".
Conversando com a pessoa que sabe usar a ironia da melhor forma possível - a fim de me mostrar, ou melhor, escancarar, aquilo que não consigo enxergar, haja vista o meu envolvimento com minha percepção, pequena e limitada - meu psicólogo, que também é padre: falamos sobre como a ausência de respostas poderia ser frustrante, todavia, ele respondeu muitos dos meus questionamentos com uma passagem bíblica:
Pilatos perguntou a Jesus, sabendo de sua fama, considerando tudo que diziam a seu respeito, O que era a verdade? , Jesus, com sua imensa sabedoria, permaneceu em silêncio. “Que inteligência!”, frisou, durante a consulta, perguntar o “porquê” não fazia sentido, de nada adiantaria saber porque as coisas são como são. Que tipo de alívio poderia proporcionar uma resposta desse tipo? Nenhum, afinal, o que mais importa é a pergunta, o questionamento, pois, ele nos faz andar, manter constante a caminhada, permanecer olhando para frente, seguir adiante.
Sendo assim, a avidez que tenho por viver a vida da melhor forma, mais sensata e intensamente, jamais encontraria concretização, já que, enquanto eu tentasse racionalizar a vida em si, seus processos, suas fases, seus prazeres e dissabores, sonhos e frustrações, ou seja, encontrar sempre uma lógica, humana e falha, para aceitar aquilo que deve simplesmente ser vivido, jamais cumpriria meu papel, minha missão, pois enquanto ela não fizesse sentido, encontrasse uma explicação, a qual teria de ser “plausível” a meu ver, nenhuma atitude poderia tomar diante as exigências da vida.
Logo, usando figuras de linguagem, parábolas, que para mim sempre são um acesso mais fácil e eficaz para entender e ver certos aspectos, me lembrou sobre o nascimento de um rio, cascata ou cachoeira, (...): a partir uma rocha, de um solo, seco, o primeiro impulso de fonte surge, porém, ao surgir, ele não sabe o que será, ele apenas sabe que deve prosseguir. Caso, a água parasse para pensar o que ela deveria/poderia ser, se tornar, ela não continuaria, não seguiria em frente, em conseqüência, ela cairia numa poça qualquer, na qual ela teria “total” controle da situação em que se encontra, pois saberia os limites de seu próprio contexto.
Contudo, ali, ela não teria sentido, seria apena uma poça, se chegasse a ser uma, pois, muito provavelmente, esse impulso de fonte, de rio, etc, secaria, e as coisas permaneceriam iguais, como se nada de fato tivesse ocorrido.
Por sorte, a água quando nasce não pensa sobre o que ela será, ela simplesmente é, gota por gota, chegando a formar um rio, o qual pode servir para matar a sede, ser usado numa plantação, abrir caminhos por onde passa, e até mesmo chegar a desembocar no mar, e uma nascente só consegue alcançar tais resultados porque segue o fluxo da vida.
Do mesmo modo, eu precisava parar de gastar meu tempo com as perguntas erradas, com preocupações descabidas, com o amanhã: “Não vos preocupeis, portanto, com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã se preocupará consigo mesmo”. Necessito, pura e naturalmente, viver minha fé, ao invés de buscar raciocínios, utilizar o intelecto e buscar/usar como fonte a arte da argumentação como base para minha vida, apenas devo vivê-la, para então, experimentar um encontro verdadeiro com o Aquele que dá o verdadeiro sentido à nossa existência.
É um desafio, de fato, conseguir viver além do medo, além da dúvida, convenhamos, é ruim apostar e perder, contudo, que escolha temos? Ao eleger qualquer opção, abrimos mão de muitas outras, e que mal há em errar, perder? Afinal, “quem não arrisca, não petisca”.
sábado, 24 de julho de 2010
25 de julho.
Hoje, dia 25 de JULHO, brindo: aos gays, aos pequenos poetas e aos aniversariantes.
Passando por várias celebrações e por vários mundos, venho comemorar a diversidade, as diferenças, o multicolorido, a poesia nos corações jovens e pequenos.
Homenageio hoje o mais novo aspirante a escritor: meu primo de 11 anos.
Segue o texto de sua autoria, criado recentemente para o primeiro post de seu blog, após ver um filme no Disney XD: Harriet, A espiã- Guerra dos blogs.
VOCÊ MESMO:
Vc acha que se conhece mais não se conhece,...Vc pode se enganar o tempo todo,....não adianta fugir,...vc não consegue,...se vc quer se conhecer mais pergunte aos seus pais, eles sabem mais de você do que vc mesmo,... acreditem tenho experiência,... aqui fala um menino de 11 anos chamado Antônio Fontenelle !! Até a próxima.
quarta-feira, 14 de julho de 2010
"A moça do bombom chegou".
Para mim, um dos trechos de música mais bonitos, quando o ouço sempre me vem a sensação de que a vida é muito leve, rápida, possuída de esperança, felicidade, o que consequentemente me faz sentir uma vontade de viver, viver e viver...
É o mesmo sentimento que chega ao meu coração, mudando qualquer que seja o estado de espírito que me encontro no momento em que escuto o trecho da música do Lulu Santos: “eu quero crer no amor numa boa, que isso valha para qualquer pessoa.. hoje o tempo voa amor, escorre pelas mãos, mesmo sem se sentir, não há tempo que volte amor, vamos viver tudo que há para viver, vamos nos permitir..” .
Permitir, é o que, de fato, precisamos, ou melhor, devemos: obter a permissão, de nós mesmos, pois a vida já nos concedeu naturalmente e livremente, de viver nossos sonhos, e antes de tudo, de sonhar, querer, desejar, realizar, ter a garra: para ir atrás do que nos torna felizes e completos.
A sociedade atual é marcada pela padronização, somos, o tempo todo, emoldurados num único perfil, considerado o mais sensato, todavia, como disse meu prof. de ética (Rudhra, o nome mais esquisito que já ouvi): “os conceitos são em si arbitrários, quem criou as definições? A classe burguesa, as elites dotadas de conhecimento, ora os filósofos gregos, ora a Igreja?”. Logo, quem definiu sensatez?
Hoje, opto pela insensatez (a minha, somente minha, única.), pela tentativa louca de encontrar um equilíbrio entre as responsabilidades que desejei para minha vida e as loucuras que anseio, as quais me deixam viva, com um coração vivo, como em Comer, Rezar e Amar: quero usufruir dos prazeres da terra, do mundo, e viver a espiritualidade, encontrar o Deus que há em mim, nas pessoas e ao meu redor, como farei isso ainda não sei, a cada dia formulo uma estratégia.
O objetivo-alvo de cada dia é simples: realizar (-me).
Há quanto tempo sobrevivi enquadrada, emparedada nas regras de uma sociedade, que me arrancava a fé no dia de hoje e no de amanhã, com sede, e sem saber o que me saciaria, sentia falta da esperança, da confiança no fato de eu poder, a qualquer dia, qualquer hora, quando eu quiser, sem mais nem menos, decidir minha vida, decidir qual roupa usar, que sentimento carregar no coração, qual pensamento ter na mente, em quais ideais acreditar, por quais razões viver, a maneira de agir diante as circunstancias que me são dadas ao longo do meu cotidiano.
Hoje, portanto, desejo o descontrole (não total, porém, já consigo aceitar o quase-total, uma espécie de parcial-largo), a vida jamais me concederá controle algum sobre as coisas que acontecem ao meu redor, a vida em si mesma é uma dádiva, e ela em alguns momentos me traz muitos presentes, em outros exige de mim que lhe dê algo: esforço, determinação, esquecimento, amadurecimento, enfim, a cada dia uma exigência nova, assim como: um novo presente, um novo começo.
Tendo em vista tudo que fora dito, atualmente, rezo pela esperança, fé, alegria de viver a cada recomeço, ou seja, a cada novo dia, mas é claro que antes do amém: peço um pouco de sorte, no jogo (da vida) e no amor.
[ http://www.youtube.com/watch?v=f3Yp_gdAHHE]
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Blue.
Tem alguém aqui, alguém. (já parou para pensar no espaço que a palavra alguém ocupa, alguém... eu sou alguém, e adoro ser esse alguém, esse alguém que alguns conhecem com mais intimidade, outros tiveram apenas uma imagem, um reflexo distorcido do que seria eu, esse alguém, outros tiveram mais do que a intimidade, foram além, alcançaram a minha simplicidade, tiveram meu sorriso, outros, tiveram outras faces de mim, verdadeiras ou não, outros, tiveram uma companhia, uma amiga ou até mesmo o meu desconhecido, talvez, outros foram simplesmente indiferente a mim, a meu alguém...) O fato é: sou eu quem (lhe) escreve: Eu decidi, (já não há mais talvez), eu quero fazer as pazes com a vida.
Percebi que muitas coisas mudam, situações ruins melhoram, coisas boas passam, deixando saudade, ou seja, que a maioria das coisas (não todas) é provisória, assim sendo, uma das poucas coisas que são definitivas: sou obrigada a conviver (eternamente, independente das circunstâncias - a vida é uma roda gigante, em um uma volta estamos em cima, em outra embaixo, com medo, ou divertindo-se, admirando ou rodando feito loucos, até cair..) comigo mesma, sendo essa condição uma das únicas condições (a outra falarei mais adiante) que o fato de existir me impõe, irei aceitá-la com um sorriso no rosto e outro maior ainda no coração.
Tal constatação me veio nos últimos tempos para trabalhar em mim a aceitação, a humildade, a gratuidade, entre outras virtudes, para comigo mesmo. Sou o que sou, isso é fato, durante seis meses, estudei Direito Civil – pessoas e bens, analisando os direitos da personalidade, com o prof. repetindo seguidamente: “o estado pessoal é indivisível, não há no mundo duas pessoas com o mesmo estado pessoal.”, para perceber, só agora, a obviedade das obviedades: eu sou um ser único no mundo e mereço respeito, carinho e alegria, porém, antes do reconhecimento de qualquer pessoa, é necessário, o meu parecer, o meu reconhecimento, o meu Amor por mim mesma.
Vivemos no relativo, na era do caleidoscópio, em que tudo é feito de mil dimensões, a cada vertente, um ponto de vista diferente, presenciamos o tempo em que a ética é posta em prática de acordo com vários referenciais (“ética, cada um tem a sua”), caminhamos num mundo cuja filosofia é buscar o que não se tem: a felicidade.
O homem tem como característica inerente e fundamental: a insegurança, pois a vida é a instabilidade em si mesma.
Nos primórdios, lutávamos pelo alimento, pela sobrevivência, logo, a força motriz de nossas vidas era (e é) a morte, não a vida.
Sendo, ironicamente, a morte a única certeza que possuímos, lutamos avidamente, para perpetuar a vida, o que é impossível, desse processo, surge a insegurança.
Como paliativo, o ser humano, não conseguindo extinguir seu pesadelo mais cruel, a morte, faz de tudo para se iludir, garantindo a si mesmo “passatempos”, capazes de lhe distrair, dando-lhe a falsa sensação de eternidade: bom emprego, bom salário, bom relacionamento amoroso, boa saúde, boa forma física, beleza, sexo, diversão, enfim, entretenimento.
Em suma, atualmente, o homem tem certeza de sua infelicidade, por isso ele busca a felicidade, aceitou-se como factual que o homem apenas tem acesso à alegria, felicidade não, esta é inatingível, grande combustível do capitalismo.
O capitalismo, para manter-se firme e forte, nos garante que precisamos mais e mais, conquistar, (comprar, comprar e comprar mais ainda) seus produtos para alcançarmos A felicidade.
Contudo, nesse lapso de cegueira coletiva, esquecemos que já temos a felicidade, que já somos felizes, pois de fato, a alegria que buscamos incessantemente, já está dentro de nós mesmos, e para acessá-la só precisamos: aceitá-la como verdadeira, nos aceitar como possuidores de todo potencial, aceitando a possibilidade de que podemos ser sempre melhores, que cada nova manhã é um presente, o qual deve ser aproveitado e gastado ao máximo, pois não é possível devolução.
Por isso, aproveite.
sábado, 12 de junho de 2010
Dia dos Namorados
Afinal, há coisas que não se compram, e elas são, sem exceção, o tempero que dá sentido às nossas vidas, entre elas: o Amor, por isso, em quaisquer circunstâncias, é burrice declarada, abrir mão da chance de amar e ser amado.
Honestamente, eu havia planejado para essa data (tão linda, apesar de extremamente comercial), fugir da cidade, ir para qualquer lugar que não houvesse pensamento numa vida a dois, um local cujo calendário pulasse o “dia dos namorados”, pois não estava a fim de assumir meu desejo (inocente e debilmente romântico) de comemorar o dia de hoje, grudadinha com alguém, como deve ser, fazendo declarações, gastando energia pensando no melhor presente a dar para quem se ama, tentar ser criativo na hora de fazer uma declaração, fora as juras de amor que fazem os casais apaixonados, os planos, os clichês, o desejo do “juntos para sempre”.
Todavia, uma amiga, querendo ser engraçadinha, sabendo que já estava irritadíssima com essa história de “dia dos namorados”, me ligou, dizendo: “Amanda, feliz dia dos namorados!”(caindo na gargalhada), depois disso, eu me “amansei”, fiquei tranqüila e até ri da situação, pois vi que não havia me tornado uma pessoa cética e racional, ao contrário, revendo o dia de ontem e algumas atitudes minhas, percebi que continuo: “exageradamente” romântica, e que isso faz parte de quem sou, da minha essência, de ser o tipo de pessoa que segue o coração, e por isso, paga um preço caro, pois muitas das conseqüências mais difíceis que tive de encarar na minha vida vieram dos atos mais simples e sinceros de amor, (uma ligação espontânea e sincera, por exemplo).
Ademais, uma outra amiga, muito querida também, irá passar o dia de hoje com “o amor da sua vida”, (a história deles é muito legal, cheia de diferenças, desde a idade até o temperamento, uma história típica para não dar certo, mas o mais incrível é que dá certo, pois os dois se querem de uma maneira genuína e muito bonita), e enquanto eu a ajudava a preparar os presentes que ela iria dar, me peguei desejando-lhe, de todo coração, uma excelente comemoração, pois eu ainda acredito no amor, na possibilidade de se entregar a alguém, de ser quem se é, sem máscaras, com defeitos e qualidades, e construir duas vidas num relacionamento.
No livro “comer, rezar e amar” há uma parte em que a autora diz que alma gêmea não é aquela pessoa que encaixa perfeitamente, pelo contrário, a verdadeira alma gêmea é um espelho, a pessoa que mostra tudo que está prendendo você, a pessoa que chama a sua atenção para você mesmo para que você possa mudar a sua vida, ou seja, provavelmente, alma gêmea é a pessoa mais importante que você irá conhecer, porque ela derruba suas paredes e te acorda com um tapa, te apresenta uma outra camada de você mesmo, ao ponto de te deixar tão desesperadamente fora do controle e com o coração despedaçado para que possa haver espaço para entrar uma luz nova, capaz de transformar sua vida, fazendo você crescer.
O que, atualmente, encaro como algo muito positivo, tendo você um relacionamento com sua alma gêmea, você cresce, caminha para o “melhor que você pode ser”, apesar da caminhada ser difícil e árdua, apesar de ser duro conviver ao lado de quem apresenta seus erros e maiores fraquezas. Porém, o amor não é para ser verdadeiro? Logicamente, traz consigo a verdade, e ela, muitas vezes, pode ser dolorosa.
Assim, desejo um mix: uma alma gêmea que seja o par perfeito, alguém que me faça crescer, que me mostre o quão pequena sou, o quanto preciso melhorar e me aperfeiçoar espiritualmente e como pessoa, para fazer as pessoas e tudo que está ao meu redor mais, muito mais felizes, melhores, gerando amor, alegria ao mundo, assim como: seja alguém capaz de se encaixar na minha vida e que me faça encaixar na sua, nos fazendo mais completos, nos permitindo dividir alegrias e tristezas, pois, Deus não criou o homem para caminhar sozinho, ao contrário, o criou para compartilhar.
Em suma, hoje, desejo um amor apaixonado e tranqüilo, capaz de se jogar num relacionamento, sem reservas, somando novidades, sucessos, e também dificuldades, das quais sairemos mais fortes e decididos: “Tão bom morrer de amor e continuar vivendo”.
quarta-feira, 9 de junho de 2010
Tudo pode dar certo

Tenho que ser sincera ao dizer que quando saí do filme fiquei extremamente decepcionada comigo mesma, mais chateada até, pois não conseguia sentir aquela fé, a esperança que o filme enfatiza, a confiança na idéia de que tudo acontece por uma razão, que liga outra razão e fato futuros, porém, como a implacável ironia do destino gosta de pregar peças em nossas vidas, comigo não foi diferente e algumas coisas aconteceram essa semana, como no filme, do “nada”, no momento mais inesperado, no momento de eterno esquecimento acerca das possibilidades que tenho na vida (afinal, somos jovens, tenho apenas 19 anos, um mundo inteiro para vivenciar e descobrir) e me fizeram resgatar essa fé no futuro, em mim, em Deus, (de fato, a fé seria muito mais bonita se a tivesse alcançado na fase ruim, no momento em que nada “sai como gostaria”).
Enfim, o filme me impressionou, pois Woody Allen costuma ser sarcástico em suas produções, em suas críticas sobre os relacionamentos humanos, os ideais pobres dos homens, suas mentiras contadas e repetidas a eles mesmos, por gerações e gerações,todavia, dessa vez ele foi irônico mas “romântico”, “Tudo pode dar certo”, durante a maior parte do tempo, te leva a pensar que o final será dramático, no qual o personagem principal terá um fim do tipo: “final feliz? História para boi dormir”, mas não, ele surpreende o público.
“Tudo pode dar certo” apresenta a fé de um autor que viveu ceticamente a vida inteira e percebe que no final não temos escolha: a não ser nos rendermos ao amor, afinal se de fato o mundo é cruel e não há solução para isso, não custa nada sermos otimistas, pois o pessimismo só irá tornar mais dura e árdua a caminhada, logo, seria a atitude mais sensata ser positivo diante das adversidades, tanto é que o filme acaba com: “não negue o amor, nunca perca a oportunidade de amar e receber o amor, de ser feliz, pois a vida é curta”.
Contudo, o que mais gostei no filme foi: a grande virada que os personagens dão em suas crenças e que Woody Allen também dá em sua conclusão, os personagens todos possuidores de crenças religiosas se tornam ateus, e no final, o grande irônico se refere a Deus, como o gênio, que possui a visão total das coisas e sabe como tudo deve ser, por isso, nós “ignorantes, burros e estúpidos” (ele não mede as palavras ao ridicularizar a prepotência humana ao tratar de sua inteligência medíocre) possuímos uma visão limitada, a qual somente nos permite ver o hoje e olhe lá, ou seja, fala sobre um gênio criador das coincidências, que são, na verdade, “o acaso de Deus”.
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Brasília: Cidade Maravilhosa, cheia de encantos mil
Conversando com algumas pessoas nesses últimos dias sobre Brasília, sobre o que a tornava tão única, concluímos que são intermináveis suas características/qualidades: o famoso “debaixo do bloco”, a época das cigarras, o período da seca (para alguns o pesadelos dos lábios rachados), o lago e suas “quebradinhas”, o céu mais bonitos para admirar, os programas alternativos e gratuitos sobre cultura/diversão/arte, a esplanada e suas manifestações, a praça dos três poderes (para muitos, local no qual habitam inúmeras recordações), parque da cidade, as crises políticas, os churrascos sem carne, mas com certeza com open bar, a brisa gostosa durante a maior parte do ano, enfim, a lista foi aumentando, (se estendendo ao cerrado: cachoeiras, olhos d’água...), porém a principal e mais marcante característica da capital, unanime entre todos: Brasília é um ovo, de codorna.
De fato, na quarta-feira, pré-feriado, constatei, eu mesma, em meio a “Brasília inteira”, (inúmeras pessoas num só lugar), que: quando os brasilienses saem a procura de diversão eles vão para o mesmo lugar, no caso, o happy hour do CAFAU.
A partir de então, me senti numa cidade interiorana moderna, pessoas que não via há muito tempo estavam ali, pessoas que convivo diariamente (e que não me canso nunca de ver, tá?) também, ou seja, praticamente, todos os círculos de amizades de todo mundo estavam lá.
Jamais presenciei nos jardins da UnB, no teatro de Arena, tanta gente unida, o som não era o maior atrativo, até porque oscilava: alguns carros apareciam, colocavam alguma música legal, daí parava, depois mais um insistia em colocar um funk, o mesmo ciclo de festas improvisadas, mas as pessoas não ligavam, elas queriam se divertir (afinal de contas, a bebida estava barata né?).
Tal clima contagia, e quando percebemos, sabíamos muito sobre a vida de cada um, nós ali sentados na mureta ao redor de um balanço, em frente ao CAFAU, conversamos, improvisamos, conhecemos novas pessoas. O melhor, grupos diferentes se fundem numa noite, ao ponto de desconhecidos entre si, saírem juntos, como se já se conhecem há tempos.
A noite terminou: comigo dirigindo sozinha na madrugada, o céu estava muito bonito, nublado, a torre de TV tinha pelo menos 1/3 de seu tamanho encoberto pelo cinza, todavia, embaixo dessa nuvem acinzentada, se encontrava uma cor levemente vermelha, e embaixo, claro, o céu, escuro da noite, da madrugada. A coisa mais linda que vi nos últimos dias, era poesia pura, Deus me falando: “Querida, você está viva!”.
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Carta ao remetente
Há muito tempo não nos falamos, na verdade, foram raríssimas vezes que nos encontramos, conversamos verdadeiramente, cara a cara, eu e você, estamos nos evitando, eu sei, e gostaria de pedir desculpas, pela minha covardia, pela minha fuga, pelo meu de repente, por aquele dia, nem me lembro com detalhes, sei que deve ter acontecido, no meio da minha vida, no meio da sua, da nossa, acho que fazia sol, estava quente, aquele ar pesado, os olhos, meu olhar, meu pensamento, o seu, você, (silêncio), preferi correr, uma tentativa de não ser, de fugir das imposições do fato de estar vivo, de viver, respirar, ocupar um corpo, ter uma mente, um coração...
Enfim, hoje, (sempre o hoje, não é meu amor?) decidi, resolvi não te deixar ir, me escapar novamente, o que importa é que resolvi voltar, te reencontrar, apesar de suas certezas, de sua sabedoria quanto ao que aconteceria, obrigada pela paciência, pela onisciência, pela presença, pelo “observar de longe”, “cuidar, guiar no escuro”, muito sincero, muito humano.
Os últimos dias foram bonitos, (te deixarei a par, daquilo que já sabe, mas que prefere ouvir de mim, com todo carinho), esse é o único adjetivo que poderia usar, teve poesia, amor, docilidade, muita feminilidade, (quase um filme estilo Almodóvar, claro com muito exagero e pouca modéstia, com sua visão feminista sobre o poder das mulheres em serem o que são, de carregarem consigo mesmas a beleza, a delicadeza, a inteligência emocional como diriam alguns alunos de psicologia (*), o que há de singelo no raciocínio feminino, na maneira de ver a vida), bom, os dias tiveram verdade, é o que posso afirmar, um pouquinho de mim, da minha essência (recém: descoberta, querida, protegida, minha nova conhecida, estamos lidando bem uma com a outra, o começo está doce, como deveria ser.)
Estou indignada querida (o), as pessoas estão (desta vez serei flexível, darei uma chance para elas se defenderem, elas não são, é muito duro afirmar que as pessoas são, até porque se tratam de defeitos, elas estão, é uma fase, um período, pelo menos, assim espero) cegas, não querem ver, e acreditam que a mentalidade atual é a sanidade (individualidade, meu caro), porque louco é o amor, sim, pois, dividir vidas, defeitos, fracassos e derrotas, ser o que se é sem máscaras, abrir, melhor ainda, escancarar a porta da sua vida pessoal para que outro acesse sem restrições ao seu lar, à sua intimidade, construir um futuro sem certezas, sem controles, sem garantias, sem contratos e regras, só pode ser loucura e das maiores, (silêncio), estávamos longe um do outro, por isso quero falar, você me deixa falar?
Consegue se lembrar daquele dia, em que nos olhando nos olhos, nos cumprimentamos com carinho, trocamos até elogios, como me sentia bem, você estava linda(o), impecável, os olhos alegres e de uma cor que só lhe pode ser única, sua, claro, castanho, ora escuro, ora claro, ora um mar de cores, de tons terra, tons vívidos,(respiração leve e mais duradoura, e um sorriso nos lábios que só os apaixonados sabem fazer sem perceberem que estão sendo notados), pois bem, ali, naquele instante, o qual na prática deve ter durado segundos, mas nos pareceu uma eternidade, dado o tamanho de nossa intimidade naquele momento, eu decidi, ser eu mesma, assumir as conseqüências por estar viva, por ser quem eu sou.
Num romantismo doce e livre que me abateu nos últimos dias, tive fé, fé em mim, em você, pois acredite, eu sou única e você me acompanha nisso, pois quando ouço uma música que me faz sorrir, olhar pela janela do carro e me sentir livre para seguir sem rumo, pegar uma estrada e enfrentar sabe se lá o que vem pela frente (eis a benção de Deus, esconder-nos o futuro, pois é muito mais gostoso não saber o que vem em seguida, o gostinho da adivinhação e da expectativa é insubstituível), me sentir em mim mesma, em nenhum lugar, exceto no que de fato me encontro, ouvir um jazz, cuja letra cada ouvinte monta, decide, interpreta, (é o ato de colorir, porém fora das linhas do desenho impresso no álbum de pinturas, esperando para ser pintado), cada dia em que se ouve dada música é uma nova possibilidade, pois é um novo espírito, é uma nova pessoa, nunca é o mesmo ouvinte, sim, tenho me aconselhado, me baseado no pensamento de Heráclito (princípios: tudo é movimento, nada pode permanecer estático, tudo fluí, “não pode banhar-se duas vezes no mesmo rio”).
Em suma, você, minha alma gêmea, meu ser, meu próprio eu, te escrevo para garantir-lhe: ainda há esperança, para mim, para nós, para a humanidade, caso ela se permita ser louca (ir contra a maré, nadar nos sentimentos, na paz, na ausência de controle, no dia após dia, nas cores, no céu, nas pessoas...).
E aí, vamos ser loucos?
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Desabafo espontâneo/instantâneo
Enfim, deixarei o pensamento vir, brotar, ser natural, tentar escrever aquilo que me vier a cabeça, como uma sucessiva extensão do que sou, do que penso, do que consigo imaginar: até então, vivi acreditando que era relativamente “questionadora”, estou sendo sincera aqui, por favor não julguem, deixem o julgamento fora desta página, questionadora, no sentido de não aceitar, ser sempre desconfiada com as coisas, elas são sempre muito dadas, impostas não poderia se certo, ao menos deveria me proteger, interrogando-as para conhecê-las melhor, pura prepotência, um modo de gostar da brincadeira com os significados das coisas, mas, de uns tempos para cá, já havia percebido que meu “pensar” era lugar comum, nada de mais, repetição do que já fora dito: mais uma se arriscando, ou melhor, se atrevendo a escrever, a falar, a opinar, a meter o nariz aonde não foi chamada, mas hoje, sempre o hoje, tive certeza.
Certeza de que sou alienada, completamente: vivo fechando os olhos, na tentativa de garantir maior segurança, insensato não é? Pois é, mas a mente humana tem dessas coisas, o ilógico é chamado de raciocínio, as loucuras de ciência, os resultados e justificativas mais loucas de “cientificamente provado”, desse mesmo modo, não poderia eu, (simples garota, uma burguesinha, “pseudo-intelectual”, iniciante na caminhada de analisar a vida, descobrir as coisas...)agir diferente, nessas horas admiro mulheres como Joana D’arc., modelo inalcançável, para uma “pobre mortal” como eu.
Pois bem, sendo o que sou, me alieno, e acredite por escolha própria, é melhor viver assim, sem saber os efeitos dos meus atos na vida alheia, no mundo, no “efeito borboleta” do outro lado do mundo, mas principalmente, saber como minhas escolhas afetam, a minha vida (sim, não temos total consciência do poder de nossas decisões e de suas conseqüências em nós mesmos), sua vida, caso você leia, não estou sendo convencida, mas tudo interfere em nós, no nosso “limiar de pessoa” (simples expressão, deixa eu explicar, o mundo é algo parecido como uma teia de aranha, cada fio que compõe essa teia representa uma pessoa, uma escolha, enfim, que vai desencadeando outras teias, até não se saber mais, quem originou quem, entendeu?), logo, sim, quando você opta por deixar de ver televisão, ler outro blog mais legal, ficar no Orkut, ou no MSN, para ler meu texto, sim, estou fazendo diferença em você, porque, por mais idiota que você ache meu texto, ele interfere no seu “pensar”, ou moldando-o para algo novo, ou reafirmando-o em dadas crenças ou alimentando sua alienação.
O fato é, não sabendo quem sou, fugindo constantemente dessa tarefa, deixando-a escapar às vezes (estou sendo muito gentil comigo mesma, porque são poucas, mas poucas, vezes), quase nunca, atividade cada vez mais rara, deixo-a fluir enquanto dirijo, enquanto durmo (momento em que me inconsciente discute com meu consciente para processar os dados resultantes das minhas frustrações, felicidades, rotina, desejos, etc.), enquanto tomo banho, almoço, vejo TV, enfim, em poucas ocasiões (sempre algo meio acidental, do tipo “ops, tava prestando atenção na professoras, mas agora estou pensando no que irei fazer quando acabar aula, como serei daqui 30 anos, o que quero da vida, se o céu pode ser medido..”), nunca dediquei tempo exclusivo à arte de pensar, sim é uma arte,(como queria ser uma artista, já falei para vocês como sonho em pintar quadros, estudar cênicas, viajar pelo mundo, tentar entender as belezas mais discretas e ao mesmo tempo mais gritantes, mais escandalosas, é, a verdade é assim, simples mas escandalosa, como: ela é assim, enigmática, porque a escondemos (no dia-dia, no capitalismo, no socialismo, nas ideologias baratas, naquilo que achamos natural mas não deveria ser) quando estávamos no paraíso, Adão e Eva fizeram esse favor, e claro, dócil, como o escândalo de uma rosa se abrindo.
Bom, vejo que estou me prolongando, mas pensei “o melhor jeito de tornar um texto rápido e fácil de escrevê-lo é deixá-lo nascer, brotar, quase pronto”, apesar de ele já estar pronto, (acredito cada vez mais naquela teoria doida do Lost, não sei quantos aqui são viciados como eu, mas faz sentido, as coisas simplesmente já aconteceram, porque tinham que acontecer, o destino é destino, temos que aceitá-lo e nos divertirmos com ele, ao invés de envelhecermos lutando para que as coisas sejam do nosso jeito, porque elas já o são, o medo de que elas não sejam como deveriam ser, de que não façamos o papel que devemos cumprir, é que nos torna tão velhos e alienados).
Alienada e covarde, fujo do silêncio, a cada dia uma nova tentativa: exercitar o silêncio no carro, parar de colocar músicas exaustivamente barulhentas ou até mesmo “calmas” como as musicas clássicas para escutar enquanto dirijo, estudo, tomo banho,enfim, para então: ler, tocar, viver, experimentar o silêncio, o silêncio dos objetos, da verdade, do meu ser, da cor do meu ser, da cor do meu coração, do meu viver, (que cor eu sou?que cor minha alma tem? Que perfume meu viver transborda? isso não é poesia, é literalidade, sim, já pensou sobre isso?Que cor, cheiro, textura você tem?), sim,quero me encarar, e tenho fugido, porque sou covarde, tenho medo do que encontrar, medo do que tenho de enfrentar, e me escondo, nos discursos políticos, nas discussões sobre a emancipação feminina, nas músicas, no dia-dia, na correria mesmo, no curso de inglês e espanhol, na natação, numa ligação, tudo é artifício para afastar do meu campo de visão a verdade: a maior e única discussão válida para qualquer época, qualquer momento, idade, temperamento, inteligência, humor, coração, caráter, enfim, é:“quem somos nós”? Conhece-te a si mesmo: o primeiro pilar da filosofia, não é à toa, né?
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Primeira Estória
Seis da matina, o despertador simples, em forma de coração, com alguma frase romântica escrita em seu interior, junto às horas, simples, de pilha, desses vagabundinhos que encontramos em lojinhas de rodoviárias para vender, a despertou, com uma música clássica, romântica, Für Elise, de Beethoven, lembrando-a que mais um dia começava, e que ela deveria agir como se fosse de propósito, não como conseqüência da sucessão contínua de dias.
Abriu os olhos, pensou no longo dia que teria pela frente, abriu as cortinas, se deparou com a pequena janela que visualizava a rua inteira, o quarto saía do clima penumbra e ficava, agora, visível, com uma aparência mais compatível com o dia que a esperava, mais enérgico, mais vívido, o sol já estava razoavelmente forte, pegou a roupa em cima da cadeira ao lado da cama de solteiro em que dormia, já havia preparado a roupa que teria de usar, na noite anterior, e foi para o banheiro.
Acendeu a luz, uma única lâmpada, que tinha para si a responsabilidade de iluminar o banheiro todo, sozinha, sem querer, meio de repente, com a automaticidade daquela cena, daquela vida, daquela rotina, se perdeu nos pensamentos, como sempre acontecia, quando se deixava levar, como um robô, programado para fazer dadas atividades sem questioná-las, lembrou-se de sua infância, da casa da avó, do cheiro do pai, das palmas da mão do irmão, que tinha uma pequena cicatriz, fruto de uma queda do pé de manga, a favorita para as estripulias das crianças do bairro, lembrou do purê de batata da mãe, da professora idosa que teve na primeira série, lembrou-se de quem era, dos sonhos, das vontades, dos apelidos, “meleca, meleca, rebeca é uma marreca”, riu de si mesma, aquilo nem se quer fazia sentido, mas a irritava e magoava, quando criança, ouvir aquelas meninas, as quais nunca foram suas amigas, mas que ela desejava ardentemente tê-las como colegas, com carinho, mas o máximo que lhe davam: risinhos, cochichos, apelidos, enfim, tudo que nenhuma criança gostaria de receber, assim, gratuitamente, por ser quem se é.
No meio daquela nostalgia, das memória de uma vida, se surpreendeu ao ver que já estava embaixo do chuveiro, daquela água gostosa, morna, mais para fria, a qual acordava seus sentidos, sua personalidade, sua energia, seu ser, lhe garantindo que, de alguma forma, aquilo tudo fazia sentido e que as coisas eram daquela forma porque tinham que ser, o que não era motivo para torná-la infeliz, mas, guerreira, agradecida, com uma fé mais bela, trazida da dificuldade, da disciplina de moldar seus sentimentos, suas revoltas, seus questionamentos, para viver melhor, se justificava.
Lavou o corpo, passou o sabonete rosa em seu corpo moreno, negro, marca da senzala, como dizia sua bisavó: “menina, um dia você vai ver, que por maior que seja sua luta, você carregará essa cor, porque seu corpo, seu ser, é a história da senzala”, contornou a própria panturrilha ao ensaboá-la, lavou suas cochas, depois a barriga, os braços, para em seguida, deixar a água lavar o seu corpo (“essa água podia me lavar,lavar minha alma”, pensou ela, “de repente, eu podia até sair desse banho outra pessoa, melhor, mais cheia de vida, se Deus quisesse até podia me fazer renascer, mudar tudo só com esse banho, me dar outra vida, outro emprego, mudar de nome, tudo, me dar outro cotidiano”), o cheiro do sabonete, o aroma de seu banho, já havia tomado conta de seus sentidos, lhe dando aquela sensação de prazer, de limpeza, de “bom dia”, lembrou do xampu novo que comprara semana passada, segundo a dona Jacira, dona do salão que freqüentava, ia dar brilho e força para os fios do cabelo, assim, quem sabe, podia até convencer seu noivo a marcar a data do casamento, há 6 anos, o infeliz a enrolava, “deixa o patrão ver meu talento, Rebeca, você vai ver, ano que vem, vai ter promoção e é minha chance, e aí, te dou casa e roupa lavada, até paro de trabalhar nos finais de semana”, se defendia sempre que o pressionava.
Arrumada, sapatilha branca, meias brancas, vestido rosa claro, avental, o cabelo longo amarrado num rabo de cavalo, perfumada, batom nos lábios, unhas das mãos feitas, “mãos limpas, aparência de limpeza, cara lavada, escutou?”, lembrou-se da patroa falando, e pronto, agora, o dia, de fato, começava.
Saiu do DCE, o cubículo que sua patroa se referia como “a suíte de sua secretária” ao falar com suas amigas, foi para a cozinha, ligou o rádio em sua estação preferida, e o dia continuava, novamente e como tinha de ser, como é a vida, com a alegria de ser daquela menina-mulher, tinha mil tarefas a cumprir, mas era feliz, era quem podia ser, era ela mesma, depois se desculpou em pensamento, enquanto coava o café, “Deus, não precisa me dar outra vida, nem mudar quem sou, eu sou feliz assim, só peço uma coisinha, convence a Dona Lúcia (patroa) a me dar aquela televisão que o Junior (filho mais novo da patroa, 12 anos) falou que era velha, para colocar no meu cantinho?”, em seguida, preparou o café da manhã...
Ps1: Obrigada pela leitura.
terça-feira, 20 de abril de 2010
"Faz o que for justo. O resto virá por si só." Goethe
Há momentos (maioria deles), na práxis da sociedade, em que os fatores reais de poder, poder social, político, econômico, entre outros (“A essência da Constituição”, Ferdinand Lassale), de fato, prevalecem sobre a Constituição, exemplos são vistos diariamente, toda vez em que a lei se submete ao “jeitinho brasileiro” de resolver as coisas, toda vez que um político corrupto sai impune, toda vez que aquele “subornozinho”, o famoso dinheirinho guardado na documentação do carro, vence no lugar da multa devida, enfim, toda vez em que os fatores de poder vencem as normas constitucionais, observa-se que o “ser” prevalece sobre o “dever ser”.
Todavia, nós temos a mania, o hábito hipócrita, de criticarmos, colocarmos esta situação longe de nosso poder de atuação, como se fosse um problema alheio, como as histórias que ouvimos sobre aquele parente distante e sobre as quais fofocamos quase incansavelmente, ou seja, assumimos uma postura de isenção de culpa, dando a nós mesmos o papel do “cidadão livre de qualquer responsabilidade e culpa” sobre o contexto político de nosso país: “A culpa é desse bando de pobre do entorno, que vende seus votos por conta de um lote onde Judas perdeu as botas, porque acham tal deputado bonito, bláblá..”, é o que mais ouço argumentarem sobre como e porque nossa política chegou onde está.
Desse modo, perpetuamos a comodidade que assumimos nos períodos de eleição, falamos mal de todos os deputados, mantemo-nos naquele velho lugar comum, deleitamo-nos no prazer em falar mal por falar mal, em ver a estrutura perpetuar-se, estender-se por anos, pois mudar gasta mais energia né? Até nas teorias da Física vemos que a tendência natural das coisas é o caos, é a economia de energia, e conosco não é diferente, votamos sem consciência, temos memória curta, acreditamos no “ele rouba, porém, faz” e muito mais, assim como, destruímos os recursos da constituição jurídica em se fazer valer.
Mas calma, ainda há solução, haja vista que a Constituição existe e se relaciona com a realidade e não é totalmente determinada por ela, pois carrega em si a vontade de ser eficaz, e essa vontade é legítima, pois, reconhecemos a “folha de papel” conhecida como “lei fundamental”, reconhecemos sua vontade de se fazer real e seu poder de mudar a realidade, assim, já que instituímos a democracia que “desejamos”, devemos parar de boicotá-la, já que ao assumirmos uma postura distante da política, alheia aos acontecimentos que regem nosso dia-dia, estaremos proibindo-a de atingir seu potencial e resultar naquilo que há muito tempo queremos.
Em suma, devemos parar de gerar conflitos entre o escrito e o real, deixar o ‘dever ser’ no plano prático ao invés do teórico, tornar o ‘ser’ das coisas mais justo, mais democrático e menos hipócrita, tornando-o mais parecido com o que está escrito nas normas constitucionais.
sexta-feira, 9 de abril de 2010
O túmulo está vazio.

A Páscoa passou no calendário, todavia, permanece em nossas vidas, sendo “Páscoa” “passagem”, estamos sempre de passagem, a vida terrena é uma passagem, e aí, entram as crenças de cada um, passagem para algo melhor, passagem para outra vida, mais desenvolvida e diferente da experiência anterior, passagem para o nada, para o finito e pronto, e para mim, passagem para a vida eterna.
Experimentei (tive a benção/sorte/graça de vivenciar) uma semana santa diferente, repleta de pessoas ávidas por viver A Verdade, descobrir O Sentido das coisas, resolver cada empecilho presente em suas vidas, os quais as impediam de viver plenamente, problemas que para elas (ao sairmos de Brasília, na quarta-feira, rumo à São Paulo) era insolúvel, na volta (domingo) ou estava prestes a ser solucionado ou já fora resolvido, mas principalmente, desejavam viver em Cristo (ao menos durante aquela semana).
Dessa maneira, eu também passei os dias do “feriadão”, refletindo sobre cada detalhe que compõe a minha vida, sobre cada parte que compõe o mosaico do meu dia-dia, mas principalmente, pude enxergar o Caleidoscópio que sou, a importância de cada mínima parte do meu ser, cada característica que me torna essa criatura, esse ser tão “humano”, o qual, a partir de cada mínima composição, varia, se diferencia, se transforma, sofre metamorfose, sob cada ótica que vou assumindo ao girar o caleidoscópio.
Assim, parei de criar hierarquias em minha vida, colocar em ordem de importância cada parte que compõe meu ser, pois todas as partes são únicas, não podendo ser analisadas sob uma ótica valorativa, haja vista que todas devem ser postas no mesmo pedestal.
Logo, ao sermos (eu e você) seres tão complexos jamais poderíamos permitir (apesar de não só permitirmos, como defendermos e propagarmos) a redução do nosso ser à mera disputa, ao status, às nossas atividades diárias, ao egoísmo, ao que possuímos, ao que pensamos, à beleza e ao nosso intelecto (sim, porque a beleza passa, o tempo corre e “acidentes” acontecem, roubando toda “arte” e com intelecto não é diferente, surgem novos “gênios”, a idade chega, junto com as doenças, falta de memória, etc), às pessoas que fazem parte de nossas vidas, chega um momento em nossa trajetória pessoal, em que nos deparamos com o vazio, o vazio de nossas conquistas, o vazio do ser que nos tornamos, o vazio do mundo, e desejamos mais, desejamos mais que momentos de felicidades, de paz, desejamos a plenitude das coisas.
E o mais incrível que pude constatar durante esses dias: cada pessoa possui dons inatos tão belos, cada um possui uma história de vida que não poderia ter sido diferente, apesar dos erros e das dificuldades, pois caso contrário, impediria cada um de ser o que é, logo, geras as conseqüências que gera na vida alheia. Ou seja, o que torna a vida bela é o que fazemos com os presentes que ela nos oferece, a vida é possibilidade, é “infinitude”, assim, o que devemos questionar é a postura de vida, a Vida em Cristo ensina a aceitação e não a reação como o mundo propõe, a filosofia atual nos pede para reagirmos, sermos firmes com as pessoas e com as coisas, sermos enérgicos ao conquistarmos nossos objetivos, porém, Deus nos fala de outra esfera de atitudes (a qual para o mundo seria um modo de aceitar os fracassos, o modo como os perdedores escolhem para conseguir viver, aceitar todas suas perdas), repleta de renúncia.
Renunciar é abrir mão de nossas vontades, exercitando o ato de “sair de si mesmo”, ser flexível diante da vida, pois, todos nós, em algum momento, tivemos que nos dobrar diante das circunstâncias, mas, essa resignação não é só aceitar e pronto, é ver que não podemos ser mimados, acreditar que tudo podemos exigir e que temos o direito de sermos escutados sempre, termos amigos disponíveis a todo o momento, sucesso constantemente, é literalmente, reconhecer antes de si mesmo, o outro.
Dessa maneira, independente de sua religião ou crença pessoal, é sempre importante (e eu garanto, traz um “bem danado”) nos renovarmos, tirarmos do armário o que há de velho, tirar de nossas vidas o velho, modificarmos os nossos “velhos defeitos”, começarmos a dedicar tempo (um bom tempo, razoável tempo do nosso cotidiano) à vida espiritual, à reflexão, para sermos, não só diferentes a cada etapa da vida, mas melhores, pois deixamos os maus hábitos no passado, a fim de conquistarmos outros mais saudáveis.
“Era tarde da noite, porém, ainda era cedo. Nunca é tarde para mudar.”
quinta-feira, 25 de março de 2010
Pena de morte x artigo quinto da Constituição Federal
O direito civil, como uma das ramificações do estudo jurídico, discursa sobre os direitos da personalidade, os quais decorrem automaticamente da existência da personalidade jurídica, igual para todos, a qual é inerente à pessoa humana e independente da consciência humana, a qual esbarra no pilar: “a personalidade jurídica não varia em graus”.
Ou seja, nenhuma comparação qualitativa é permitida dentro do direito, pois, caso considerássemos dada personalidade melhor que a de outrem, estaríamos quebrando o preceito básico de nosso sistema jurídico: todos são iguais perante a lei.
Dessa forma, ao afirmar a igualdade de todos, sem distinção de qualquer natureza, perante a lei, o artigo quinto (5°) da constituição federal de 1988 garante e assegura a vida de todos os membros da sociedade, independente de sua conduta social.
Assim, a pena de morte seria inconstitucional, haja vista que por maior que seja/fosse a violação cometida por determinado sujeito, inclusive a violação de um dos direitos fundamentais, como o direito à vida, ainda assim, teria intactos seus direitos fundamentais.
Logo, não caberia ao Estado, apesar de sua posição e superestrutura sociais, utilizar de tal arbítrio, seria ainda mais danoso para a sociedade, ter sua representatividade pautada na quebra do direito mais básico de todo indivíduo.
sábado, 20 de março de 2010
“Pra falar a verdade, às vezes minto tentando ser metade do inteiro que eu sinto” Teatro Mágico
Desse modo, podemos observar, de maneira clara, a forma como os romances se desenvolveram, desde os típicos folhetins aos dramas atuais, cada vez mais densos. Nas aulas básicas de literatura do ensino médio, estudávamos as mudanças ocorridas na estrutura dos personagens, os quais saíam do “caráter” plano para o esférico, o que era considerado um avanço, pois, cada vez mais, os personagens se tornavam mais completos.
Na “vida real” não é diferente, com o passar dos anos, quando vamos alcançando maior maturidade, mais experiência, percebemos que as pessoas são mais complexas e mais densas, de modo que as análises simplistas se tornam pouco eficientes para entendermos as atitudes alheias, os fatos da vida, os acasos e principalmente a essência do outro.
Eu, como uma típica noveleira, enquanto assistia à novela “viver a vida” me dei conta de que apesar dos clichês repetidos a cada novo enredo do horário nobre, cada drama me mostra que de fato “a arte imita a vida”, pois os típicos “novelões” são a ilustração dos nossos desejos, da nossa realidade, de nosso cotidiano, e apesar de, às vezes, serem inocentes, simplórios nas tramas entre os personagens, tentam nos mostrar a possibilidade da vida, mostrar uma moral melhor, nem que reine no eterno: “ felizes para sempre” e na vitória do bem sobre o mal.
Enfim, nossos parâmetros vão mudando ao longo do tempo, nos tornando mais capazes de admirar as pessoas (de modo mais completo), pois, reconhecendo suas inúmeras vertentes, suas inúmeras faces, seus inúmeros desejos, atitudes (muitas vezes contraditórias), e o mais difícil, percebemos então que a vida é descontínua, não possui linearidade, a cada fato novo, “estamos processando os dados” e tudo se torna possível.
Assim, passamos a nos portar e nos aceitar como “personagens esféricos”, cheios de defeitos e qualidades, haja vista que paramos de nos reduzir a meros corpos, cérebros e status, exigindo dos outros o reconhecimento total do nosso ser, de modo que nossas relações se estabeleçam sob a verdade (quem somos verdadeiramente).
Partindo dessa lógica, lembrei da peça escrita por Aristófones, na Idade Antiga, “Lisístrata - A greve do Sexo” [http://www.ufrgs.br/proin/versao_1/greve/index01.html], a qual narra a luta das mulheres em se fazerem reconhecer como algo além de mero objeto sexual masculino, sendo um marco na história dos personagens femininos, pois ali, as mulheres ganham “cérebro” e “alma”, passam a interferir no rumo da história, o que nos apresenta o fato: antes do reconhecimento de nossa complexidade pelo outro, é necessário o nosso auto-posicionamento acerca de nossa densa trajetória e composição, como a personagem principal faz, cortando tudo que é desnecessário e assumindo roteiros autênticos, pois pautamos nosso perfil psicológico e emocional, no que há de mais belo, o nosso palco pessoal, nossa vida, aquela cuja responsabilidade é intransferível.
